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Confrontos envolvendo o Talebã matam pelo menos 78 no Afeganistão

Atualizado em  6 de julho, 2011 - 18:33 (Brasília) 21:33 GMT
Soldados dos EUA disparam canhão em Kala Gush, no Nuristão. Foto: Getty Images

Nuristão, no Afeganistão, tem registrado aumento da violência associada a militantes islâmicos

Pelo menos 78 pessoas morreram em violentos combates nos últimos dias entre insurgentes da milícia Talebã e forças de segurança na província afegã do Nuristão (leste do país), que faz fronteira com o Paquistão, afirmaram autoridades locais.

O governador da província, Jamaludin Badar, disse à BBC que 33 policiais de fronteira foram mortos em dois dias de confrontos.

Além deles, 40 combatentes do Talebã e cinco civis morreram depois que 150 insurgentes fortemente armados realizaram um ataque depois de sair de bases na cidade de Chitral, no Paquistão.

Duas autoridades de segurança no Nuristão disseram à BBC que os combates começaram quando insurgentes paquistaneses e chechenos (que costumam se unir a militantes islâmicos da região) cruzaram a fronteira do lado do Paquistão para atacar postos de controle da polícia.

De acordo com autoridades de inteligência no Nuristão, militantes do Talebã atacaram pontos de controle da polícia de fronteira no distrito de Kamdesh, usando metralhadoras e lança-granadas.

Otan

A Otan afirma que providenciou apoio aéreo intensificado na noite de terça-feira, depois que os pontos foram atacados.

"Nossos helicópteros atacaram os insurgentes, mas esta é uma operação conduzida pelo Afeganistão, e as nossas forças estão lá para assisti-los", disse à BBC o capitão Justin Brockhoff.

O Talebã nega que o ataque tenha sido desferido do Paquistão, insistindo que a operação foi conduzida por militantes baseados no Afeganistão.

O governador do Nuristão diz que dezenas de policiais continuam desaparecidos e que o número de mortos pode aumentar.

"As nossas forças lutaram até a última bala", afirmou Badar. "Alguns dos postos estão no alto das montanhas, e é muito difícil enviar munição, água e comida para estes lugares."

A polícia afirma que está procurando 20 oficiais que teriam feito uma retirada estratégica ou sido feitos reféns.

Tensão entre vizinhos

Os ataques ocorridos dos dois lados da fronteira aumentaram a tensão entre os vizinhos Afeganistão e Paquistão. Os governos se acusam mutuamente de falhar na repressão aos militantes.

Também nesta quarta-feira, a polícia no noroeste do Paquistão afirmou que um grupo de mais de 200 militantes do Talebã cruzou a fronteira com o Afeganistão e atacou vilarejos na província de Khyber Pakhtunkhwa, incendiando uma escola e confrontando moradores.

Correspondentes dizem ser difícil corroborar com as afirmações de ambos os lados. No entanto, há consenso no fato de que os insurgentes expandiram seu controle no Nuristão nos últimos meses, controlando a principal rodovia rumo à capital da província.

O correspondente da BBC em Cabul (Afeganistão) Bilal Sarwary diz que o Nuristão – montanhoso e com um sistema limitado de comunicação - não é uma área tradicionalmente controlada pelo Talebã. No entanto, a região tem um histórico de extremismo tribal e militância.

Integrantes das forças de segurança do Nuristão dizem que deram repetidos avisos da piora na situação de segurança. Eles acusam o governo e a Otan de falhar em agir, mas as acusações são rejeitadas pelas autoridades.

Nessa terça-feira, o comandante das forças internacionais no Afeganistão David Petraeus disse que o foco da guerra no país está mudando das áreas controladas pelo Talebã no sul para o leste, na fronteira com o Paquistão.

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