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Tropas avançam em cidades do norte da Síria

Atualizado em  16 de junho, 2011 - 23:47 (Brasília) 02:47 GMT
Foto cedida por cidadão sírio mostrando tanque do Exército do país (AP)

Forças sírias prometeram 'restaurar segurança' em cidade foco de protestos

Tropas sírias estão avançando, em tanques e comboios, para duas cidades no norte do país, que vive uma forte onda de protestos antigoverno.

As forças de segurança entraram em Khan Sheikhun e Maarat al-Numan, município entre Damasco e Aleppo, segundo imagens mostradas pela TV estatal nesta quinta.

No mesmo dia, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que a Síria cesse o derramamento de sangue e “pare de matar seu próprio povo”.

As Nações Unidas estimam que ao menos 1,1 mil pessoas tenham morrido em atos de repressão nos últimos três meses no país.

Imagens da TV estatal mostraram fotos dos avanços das tropas sírias, cuja missão anunciada é combater “organizações terroristas armadas”.

Autoridades afirmam que o plano é levar a cabo uma “operação militar limitada” em Maarat al-Numan, para “restaurar a segurança” no local.

O ativista de direitos humanos Mustafa Osso disse à agência Associated Press que ao menos 300 pessoas estavam sendo detidas diariamente na região.

Há relatos também de tropas abrindo fogo nos arredores da cidade, mas nenhuma morte foi confirmada.

Grupos de direitos humanos dizem que milhares de residentes fugiram das duas cidades ao saber da chegada das forças de segurança, possivelmente aumentando o êxodo de sírios rumo à Turquia, onde têm buscado abrigo contra os conflitos.

O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, disse que levará assistência humanitária aos refugiados.

Investigadores da ONU, que foram proibidos de entrar na Síria, acreditam que até 10 mil pessoas tenham sido detidas no país por atos de oposição ao governo.

Damasco afirma, de seu lado, que cerca de 120 agentes de segurança foram assassinados durante os protestos populares.

Ao mesmo tempo, em Jisr al-Shughour (noroeste), palco de fortes confrontos nos últimos dias, as autoridades pediram à população em fuga que regresse à cidade, agora sob controle das forças de segurança.

Mais de 8 mil sírios fugiram de Jisr al-Shughour durante os conflitos, buscando abrigo na Turquia.

As autoridades locais afirmam que a cidade de cerca de 100 mil habitantes – foco de grandes manifestações antirregime – está voltando à rotina, mas que unidades do Exército ainda estavam presentes, perseguindo “militantes”.

Como a Síria proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros no país, os relatos não podem ser checados de forma independente.

Pressão

No campo diplomático, potências ocidentais continuam em campanha para levar ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução condenando a repressão na Síria, mas enfrentam oposição da Rússia e da China, ambas com poder de veto no CS.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, tem nos atuais protestos seu maior desafio em 11 anos de governo. As manifestações contra seu regime, que começaram no sul e se espalharam para o norte do país, ameaçam tomar força no leste sírio, próximo à fronteira com o Iraque.

Também nesta quinta, a TV estatal noticiou que Rami Makhlouf, primo de Assad e importante empresário das áreas de telecomunicações, construção civil e petróleo na Síria, pretende abandonar seus negócios e supostamente doar os lucros a ações de caridade.

A declaração de Makhlouf - que está entre as autoridades sírias listadas em sanções impostas pela União Europeia - demonstra que o círculo próximo a Assad está sob pressão crescente, relata o correspondente da BBC em Beirute Jim Muir.

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