Vulcões vão continuar ameaçando a aviação, diz especialista

Atualizado em  16 de junho, 2011 - 05:14 (Brasília) 08:14 GMT

Cinzas do vulcão chileno Puyehue vêm prejudicando voos na América do Sul, Austrália e Nova Zelândia

As cinzas vulcânicas que tantos problemas têm causado ao tráfego aéreo em diversas regiões do planeta vão continuar sendo um risco permanente à aviação, disse à BBC Brasil a vulcanologista Marianne Guffanti, do US Geological Survey (USGS, agência de pesquisa geológica ligada ao governo americano).

Segundo Guffanti, que há 15 anos atua na área de riscos à aviação, o fenômeno não é novo. O que mudou nos últimos anos, diz a cientista, não foi a intensidade das erupções, e sim do tráfego aéreo.

“Esse fenômeno é conhecido há mais de 30 anos”, afirma Guffanti. “Mas agora o espaço aéreo está tão cheio que os riscos são muito altos.”

Em um dos episódios mais recentes, a erupção do vulcão chileno Puyehue vem provocando há vários dias cancelamentos de voos em diversos países da América do Sul, na Austrália e na Nova Zelândia.

Nesta semana, países do Leste da África tiveram de cancelar voos devido à erupção do vulcão Nabro, na Eritreia.

De acordo com a vulcanologista, novos problemas podem ocorrer a qualquer momento e em praticamente qualquer região onde haja atividade vulcânica.

“É um risco contínuo”, diz Guffanti. “É muito difícil prever.”

Incidentes

A especialista do USGS diz que, nos últimos 30 anos, houve pelo menos 26 incidentes graves com aviões provocados por nuvens de cinzas vulcânicas.

Em nove deles, as turbinas das aeronaves chegaram a parar de funcionar durante o voo.

Guffanti afirma que um dos primeiros registros de encontros entre aviões e nuvens de cinzas vulcânicas de que se tem notícia ocorreu em 1980, durante a erupção do Monte Santa Helena, no Estado americano de Washington.

Na época, diz a cientista, houve uma série de episódios em que aeronaves militares se depararam com as nuvens de cinzas expelidas pelo vulcão.

Nos anos seguintes, outros episódios envolvendo aeronaves e nuvens de cinzas voltaram a ocorrer em diferentes partes do planeta onde havia vulcões em erupção.

Informação

Foi somente no ano passado, porém, durante a erupção do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia, que o problema ganhou projeção mundial.

As nuvens de cinzas expelidas pelo vulcão mergulharam a Europa em um caos aéreo, com cancelamento de milhares de voos, fechamento de aeroportos em diversos países e um prejuízo calculado em bilhões de dólares.

“Antes daquele episódio na Islândia, as pessoas não sabiam que, enquanto elas viajam, digamos, de Chicago ao Japão, há uma equipe de especialistas nos bastidores monitorando as cinzas de vulcões”, diz Guffanti.

De acordo com a cientista, à medida que aumentou o conhecimento sobre os riscos das nuvens de cinzas às aeronaves, estabeleceram-se regras mais detalhadas para disseminar informações no setor de aviação mundial.

Além disso, hoje há mais sensores em satélites que podem detectar as nuvens de cinzas com maior precisão.

“O que aconteceu nos últimos anos foi uma combinação de novas tecnologias para detectar as nuvens de cinzas e uma melhor estratégia de comunicação e de distribuição de informações ao redor do mundo”, afirma.

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