
Leterme permanece interinamente como primeiro-ministro
A Bélgica completou nesta segunda-feira um ano de impasse político que levou o país a ficar sem governo.
Um governo provisório está no controle do país desde junho de 2010. Trata-se do período mais longo em que os belgas ficaram sem um governo real desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
O impasse ocorre por causa de disputas de poder entre representantes das comunidades de língua francesa e flamenga do país. Divergências entre os dois lados vêm causando problemas políticos para a Bélgica há décadas.
Os dois partidos vencedores da última eleição geral não conseguiram superar suas divergências a respeito de uma reforma constitucional.
Os nacionalistas da Nova Aliança Flamenga exigem mais autonomia para a região. Mas esta exigência é considerada inaceitável pelo Partido Socialista, que venceu na parte que fala francês.
As pesquisas de opinião sugerem que dois terços do belgas ainda estão otimistas em relação à formação de um novo governo.
Primeiro-ministro provisório
O primeiro-ministro interino do país, Yves Leterme, renunciou em abril de 2010, mas ainda está indo ao trabalho.
Em fevereiro, os belgas reivindicaram o recorde mundial de país que passou o maior tempo sem um governo.
Uma página na internet fez a contagem regressiva para o dia em que o país bateu o recorde, deixando até o Iraque em segundo lugar - o país precisou de 289 dias para ter um governo, em 2009. O site agora traz a frase: "Sim, belgas, nós conseguimos!".
Outras fontes sugerem que este recorde era, na verdade, do Camboja, que precisou de 353 dias para formar um governo depois das eleições de 2003. Se este for o caso, a Bélgica bateu este recorde no dia 1º de junho.
"Tecnicamente, isto pode durar até a próxima eleição federal, em 2014", disse o cientista político David Sinardet.
"Vamos dizer que teremos eleições em 2014 e teremos alguns problemas para formar uma coalizão, (então) este governo provisório pode continuar depois deste. Enquanto tiver uma maioria no Parlamento, o único obstáculo para (o governo provisório) seria o medo do absurdo."
Enquanto isto, no dia-a-dia, o país continua funcionando bem. Sua economia está crescendo, as exportações estão em alta, o investimento estrangeiro continua, a presidência do país da União Europeia em 2010 foi considerada um sucesso e a Bélgica também contribuiu para a operação da Otan na Líbia.
Isto ocorre em parte pelo fato de que os governantes provisórios e seus funcionários públicos são gerentes eficientes, mas também pelo fato de que muitos poderes já foram devolvidos para os governos regionais e comunidades linguísticas da Bélgica.
Impaciência
Apesar da situação, poucos na Bélgica acreditam que a convocação de novas eleições possa resolver o impasse.
As negociações sem resultados durante todo o ano que passou se concentraram nas exigências dos representantes da comunidade de língua flamenga, para obter mais poderes, um assunto que é frustrante e tedioso para os eleitores comuns.
"O que você vê é impaciência, mas também uma falta geral de interesse. As pessoas estão cansadas de toda a história, principalmente no que diz respeito à parte institucional", disse o jornalista do jornal belga De Standaard Marc Reynebeau.
"As pessoas estão falando sobre o mesmo assunto várias vezes, repetindo as mesmas frases. Isto cansa as pessoas. Fortalece a alienação dos cidadãos em relação à elite política", acrescentou.
Para o jornalista, se algumas pessoas estão fazendo piada com este fato, é "para esconder o constrangimento".
Reynebeau afirmou que uma nova eleição geral pode ser convocada ainda este ano, a partir de setembro, ou até em 2011, coincidindo com as eleições locais.
Outra possibilidade, segundo o jornalista, é que o Parlamento comece a exercer mais iniciativa e o governo provisório assuma novos poderes. Com isso, este governo provisório pode durar outro ano.