Venezuela

Operários de empresa do Brasil param greve, mas mantêm protesto em Caracas

Greve de fome diante da embaixada brasileira (Foto: Claudia Jardim - BBC Brasil)

Trabalhadores pedem pagamento de salários e benefícios atrasados

Dez operários da empreiteira brasileira Consilux suspenderam uma greve de fome que durou nove dias, em frente à Embaixada do Brasil em Caracas, após entrarem em um acordo com a empresa e o governo da Venezuela quanto ao pagamento de salários e benefícios atrasados.

Os trabalhadores, no entanto, devem manter o protesto diante da Embaixada – onde estão acampados – até receberem o pagamento.

“Chegamos num acordo. O governo se responsabilizou em entregar os recursos para a Consilux e a empresa vai pagar a dívida com os trabalhadores”, afirmou à BBC Brasil Pablo Marrero, representante dos trabalhadores.

O acordo, estabelecido entre o Ministério de Habitação venezuelano, a Consilux e os operários, prevê que até 30 de junho os trabalhadores deverão receber parte da dívida. “Enquanto o dinheiro não chegar na nossa conta, continuaremos a vigília aqui na embaixada”, disse Marrero.

A Consilux paralisou, no ano passado, a construção de 1.032 casas de um complexo habitacional em Cidade Bolívar, no Estado de Bolívar. Apenas 346 casas foram concluídas. Desde então, os trabalhadores argumentam que estão parados e sem receber parte do salário atrasado e outros benefícios previstos na legislação venezuelana.

A dívida da Consilux com os 576 operários que trabalhavam na obra alcançava, em outubro do ano passado, 176 milhões de bolívares (equivalente a pouco mais de R$ 64 milhões).

“Na crise de moradia em que estamos, o que precisamos é mais construções, não obras paradas”, disse Marrero.

O representante da Consilux na Venezuela, Espartano da Fonseca, admitiu nesta semana à BBC Brasil que a empresa devia aos trabalhadores, mas argumentou que dependia do repasse das verbas do governo para poder saldar a dívida.

“Temos que receber do governo para poder pagar os trabalhadores”, disse. “O orçamento já foi aprovado e isso deve ser liberado rapidamente.”

De acordo com a Consilux, a dívida do governo com a empresa é de 300 milhões de bolívares (equivalente a R$ 109 milhões). Isso inclui a cota que a empresa deve aos trabalhadores. O restante, de acordo com Fonseca, seria usado para finalizar as obras que foram paralisadas em Ciudad Bolívar.

Projetos

A Consilux foi contratada pelo governo venezuelano em 2006 para construção de 5.850 casas, em seis projetos habitacionais diferentes. Cinco deles foram paralisados. O único contrato cujo projeto ainda estaria vigente, de acordo com a Consilux, é o da Ciudad Bolívar.

O deficit habitacional na Venezuela, de pelo menos 2 milhões de moradias, foi agravado no ano passado, quando fortes chuvas afetaram o país, deixando mais de 150 mil pessoas desabrigadas.

A cerca de um ano da decisiva eleição presidencial de 2012 e na esteira da crise, o governo Chávez lançou um ambicioso projeto de construção chamado “Missão Moradia”, uma edição venezuelana do programa “Minha Casa, Minha Vida”.

A promessa do governo é entregar 150 mil moradias neste ano e solucionar o deficit habitacional até 2017. Para cumprir a meta, Chávez, há 12 anos no poder, terá de ser reeleito.

A Consilux é uma das construtoras estrangeiras que participam do “Missão Moradia”.

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