
Presidente não deve adiar reformas, opina revista
Num momento em que a inflação e o superarquecimento econômico exigem reformas no Brasil, a presidente Dilma Rousseff enfrenta crescentes problemas políticos, opina a revista The Economist em duas reportagens publicadas sobre o país nesta quinta-feira.
Uma delas diz que o Brasil conquistou estabilidade econômica e tem muito do que se orgulhar, mas também atribui o sucesso econômico do país à sorte – por conta do aumento nos preços internacionais das commodities – e opina que a maior economia da América Latina é mais frágil do que parece.
O governo está adiando uma agenda de reformas mais profundas essencial para fomentar o crescimento e a estabilidade fiscal de longo prazo do Brasil. E os crescentes problemas da presidente não ajudam: seu ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, está sob fogo cruzado, diz a revista.
A reportagem se refere a uma denúncia feita pelo jornal Folha de S. Paulo, que noticiou que o patrimônio de Palocci se multiplicou por 20 entre 2006 e 2010, período no qual abriu uma empresa de consultoria, a Projeto.
O caso motivou uma convocação de Palocci para dar explicações na Câmara dos Deputados. A convocação foi suspensa na última quarta-feira pelo presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), que prometeu uma decisão final na próxima terça.
Para a Economist, o desgaste político já atingiu Dilma, citando a aprovação, na Câmara, do projeto de alteração do Código Florestal – ocorrida a contragosto do governo.
Perigos
O episódio, somado à pneumonia da presidente, às desavenças com o aliado PMDB e à interferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, na opinião da publicação, com que Dilma parecesse incapaz de se manter erguida – uma percepção perigosa para uma líder feminina num país com poucas líderes deste tipo.
A preocupação imediata é que tudo isso amenize ou adie as medidas necessárias para lidar com uma economia superaquecida.
A reportagem afirma que, num cenário de preocupação com a inflação e com o fluxo de capital estrangeiro – e num momento em que o governo restringiu seus investimentos -, é preciso impor uma política fiscal mais firme e uma reforma no sistema previdenciário.
Essa reforma é urgente num país que está envelhecendo rapidamente, tem pensões (previdenciárias) absurdamente generosas e onde, em média, as mulheres se aposentam aos 51 anos. Também (é urgente) reformar o complicado e distorcido sistema tributário do Brasil, conclui a Economist.
Tais reformas são difíceis, e é tentador adiá-las. Mas, sem elas, a maior história de sucesso da América Latina começará a parecer bem menos reluzente.