América Latina

Chávez ofereceu US$ 300 milhões às Farc em 2007, diz relatório

AP

Segundo relatório, Chávez deu aos guerrilheiros acesso à Venezuela

Documentos obtidos em uma operação militar colombiana indicam que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ofereceu em 2007 uma ajuda de US$ 300 milhões (R$ 483 milhões) às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Além disso, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, sigla em inglês), Chávez deu aos guerrilheiros acesso territorial à Venezuela.

O relatório do IISS traz dados obtidos pelas Forças Armadas colombianas em 2008, durante operação contra a guerrilha das Farc na fronteira com o Equador.

As informações estavam de posse do líder das Farc de codinome "Raúl Reyes", que acabou morto na operação militar. As informações estavam em laptops, discos rígidos e pen drives contidos em uma pasta de metal, em posse do guerrilheiro morto.

O dinheiro prometido pelo presidente venezuelano às Farc, no entanto, nunca chegou a ser entregue, segundo as informações obtidas pelas forças colombianas.

Aliado estratégico

O correspondente de assuntos internacionais da BBC Mike Wooldridge afirma que, de acordo com o relatório, Chávez via nas Farc um aliado estratégico regional contra uma possível invasão dos Estados Unidos na América do Sul.

O presidente venezuelano também considerava as Farc, de acordo com o texto, um parceiro para promover a sua ideologia "bolivariana" de soberania e autodeterminação sul-americana na região andina.

A relação entre a guerrilha e o presidente, marcada por estremecimentos desde que Chávez chegou ao poder, em 1999, se fortaleceu entre os anos de 2006 e 2007, segundo indica o relatório da IISS.

Wooldridge diz que esta reaproximação, de acordo com o estudo, coincidiu com uma dramática deterioração das relações diplomáticas entre a Venezuela e a Colômbia - à época, governada por Alvaro Uribe.

Equador

O relatório também traz informações sobre a relação entre as Farc e o presidente do Equador, Rafael Correa. O estudo afirma que a guxerrilha chegou a financiar a campanha presidencial de Correa, que foi eleito em 2006.

Segundo o ISSS, as Farc levaram mais tempo para ganhar força política no Equador do que na Venezuela, isto porque a guerrilha veria uma penetração mais forte da inteligência colombiana e americana em território equatoriano.

O instituto sugere, segundo o correspondente da BBC, que o apoio da Venezuela às Farc continua inabalado, embora notícias recentes indiquem que a relação entre Chávez e a guerrilha esteja estremecida.

Além disso, o relatório também indica que, para as Farc, o valor estratégico da fronteira entre Colômbia e Equador permanece em alta.

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