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Grã-Bretanha retira convite a embaixador da Síria para o casamento real

AP

Manifestante mostra bandeira ensanguentada em protesto na cidade síria de Israa

O Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha retirou nesta quinta-feira o convite feito ao embaixador da Síria para o casamento do príncipe William com Kate Middleton.

Um porta-voz do ministério afirmou que o ministro William Hague decidiu que a presença do embaixador Sami Khiyami na cerimônia seria "inaceitável", à luz da repressão violenta dos protestos contra o governo que ocorrem na Síria. O ministério afirmou que o Palácio de Buckingham compartilha da opinião.

O embaixador Sami Khyami disse não ter ficado surpreso ao receber nesta quinta-feira pela manhã um telefonema por parte do Ministério das Relações Exteriores informando que o convite havia sido suspenso.

''Eu acho um pouco constrangedor. Mas não considero um assunto que vá abalar relações e discussões já existentes com o governo brtiânico'', afirmou, em entrevista à BBC.

Ele acrescentou ainda: ''Eu realmente não entendo, mas eu entendo as influências da mídia nas decisões do governo''.

Segundo Khiyami, ''o noivo e a noiva não precisam que outros assuntos representem uma distração em relação a seu casamento''.

Violência

Centenas de pessoas morreram na Síria desde que os protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad começaram no país, no começo de março.

Na quarta-feira, o governo britânico já havia convocado o embaixador para reiterar sua posição de que a repressão aos protestos contra o governo tinha que parar.

Ativistas de defesa dos direitos humanos na Síria afirmam que ao menos 500 pessoas morreram ao longo de seis semanas de manifestações. Não há confirmação independente sobre os números, já que o governo sírio está impedindo a entrada de jornalistas estrangeiros no país.

Na madrugada desta quinta-feira houve relatos de tiros sendo disparados contra civis na cidade sulista de Deraa, que se tornou o epicentro dos protestos. O governo sírio enviou tanques e tropas à cidade para tentar retomar o controle da situação.

Lista polêmica

PA

Gordon Brown e Tony Blair: ausência na Abadia de Westminster.

A decisão de desconvidar o embaixador sírio se soma a outra polêmica em torno da lista de convidados para o casamento real: a ausência dos ex-primeiros-ministros trabalhistas Tony Blair e Gordon Brown. Nenhum dos dois foi convidado para o casamento, a ser realizado na sexta-feira na Abadia de Westminster.

Os ex-premiês conservadores Margaret Thatcher e John Major receberam convites, o que surpreendeu parlamentares trabalhistas e despertou suspeitas de uma possível preferência política.

Segundo porta-vozes da família real, Major e Thatcher foram convidados não por serem ex-chefes de governo, mas apenas devido a uma questão de protocolo. Ambos são membros da Ordem da Jarreteira, enquanto Blair e Brown não receberam a honraria, considerada a mais alta da rainha Elizabeth 2ª.

A Ordem da Jarreteira foi estabelecida pelo rei Eduardo 3º em 1348, para honrar aqueles que contribuíram à vida nacional ou serviram ao detentor da coroa.

Apesar da justificativa da família real, de acordo com o repórter da BBC Gabriel Gatehouse alguns jornais de esquerda da Grã-Bretanha chegaram a perguntar se o casamento de William e Kate não estaria sendo politizado.

Segundo Gatehouse, entre os 1,9 mil convidados apenas um membro do Partido Trabalhista, a maior legenda de oposição, estará presente na cerimônia: o líder do partido, Ed Miliband.

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