França

Museu vandalizado por militantes católicos é reaberto na França

Obra Immersion Piss Christ, de Andrés Serrano (foto - BORIS HORVAT/AFP/Getty Images)

A obra 'Piss Christ' foi vandalizada em um museu de Avignon

Um museu francês foi reaberto nesta terça-feira, sob forte esquema de segurança, após ter tido duas obras de arte polêmicas vandalizadas no domingo passado por militantes católicos.

A direção e funcionários do centro de arte contemporânea Collection Lambert, na cidade de Avignon, no sul da França, receberam ameaças de morte se o museu fosse reaberto e solicitaram proteção policial.

Os visitantes têm suas bolsas e pertences revistados antes de entrar na exposição. A direção do museu decidiu reapresentar as obras vandalizadas no estado em que foram deixadas após o ataque.

A obra que suscitou grandes protestos de movimentos católicos considerados integristas e foi vandalizada com golpes de martelo e objetos cortantes é a fotografia Immersion Piss Christ, do artista americano Andrés Serrano.

A imagem mostra um crucifixo mergulhado em um copo de urina do fotógrafo, contendo ainda sangue. Ela integra a exposição Eu Acredito em Milagres, em cartaz até o dia 8 de maio.

O grupo que atacou essa obra, na data simbólica do Domingo de Ramos, vandalizou ainda uma outra fotografia do artista, Irmã Jeanne Myriam, que mostra uma mulher grávida vestida de freira.

O ataque contra as duas obras, classificado por alguns de “atentado cultural”, chocou representantes da área das artes, políticos na França e também muitos franceses, que denunciam um “ato de regressão preocupante, com o retorno de valores da Idade Média”.

'Atentado'

O ministro da cultura francês, Frédéric Mitterrand, reconhece que as imagens “podem chocar algumas pessoas”, mas afirma que o ato de vandalismo representa “um atentado ao princípio da liberdade de criação e de expressão previsto na lei”.

“É a volta da Inquisição, se considerarmos as fotografias de fogueiras que recebemos com uma mensagem dizendo que isso é apenas o início”, diz o diretor da Collection Lambert, Éric Mézil.

Representantes do museu afirmam sofrer inúmeras ameaças telefônicas e já ter recebido mais de 30 mil e-mails de “integristas religiosos”.

A fotografia Immersion Piss Christ já havia sido exposta duas vezes na França sem provocar protestos. A primeira foi em 2007, também em Avignon, e no Centro Georges Pompidou, em Paris, em 2008.

Os atuais protestos são liderados pelo Instituto Civitas, que organizou uma passeata no sábado passado em Avignon com cerca de mil pessoas.

Militantes do partido de extrema direita Front National também participaram da passeata em Avignon.

O Instituto Civitas afirma ser “um movimento católico que visa restaurar uma França católica e orientar as decisões políticas e sociais de acordo com uma visão católica”.

Uma parte da hierarquia católica, como o bispo de Avignon, Jean-Pierre Cattenoz, também protestou contra a apresentação das fotografias e pediu sua retirada.

“O presidente Nicolas Sarkozy disse recentemente em um discurso que a França precisa assumir sua herança cristã. De tanto assoprar nas brasas, atiça-se o fogo”, diz o diretor do museu.

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