Grã-Bretanha

Premiê britânico promete mais restrições à imigração

Cameron, em discurso nesta quinta-feira

Premiê quer restringir a 'imigração em massa' na Grã-Bretanha

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, anunciou nesta quinta-feira a adoção de controle mais rígidos sobre a imigração no país, alegando que há “abusos” e fraudes no sistema que autoriza estrangeiros a viver no país.

Em discurso na cidade de Southampton (sul do país), o premiê disse que quer manter a “imigração boa” e restringir a “imigração em massa”.

Para isso, pretende limitar a emissão de vistos concedidos a estudantes, a cônjuges de residentes, a trabalhadores qualificados e a solicitantes de asilo, além de combater a prática de casamentos forjados para a obtenção de documentos.

Ele disse que a imigração causa tensão e “desconforto” em comunidades britânicas, e que muitos imigrantes não têm interesse em se integrar à sociedade local.

O discurso, alvo de críticas dentro da própria coalizão do premiê, ocorre uma semana depois de ter entrado em vigor o limite imposto por Cameron para a imigração de cidadãos de fora da União Europeia (UE).

Pelos próximos 12 meses, só poderão entrar no país no máximo 20,7 mil trabalhadores qualificados de fora da UE e mil considerados “talentos excepcionais”, como cientistas, acadêmicos e artistas.

Benefícios a estrangeiros

Em março, o governo britânico havia anunciado medidas para limitar a concessão de vistos a estudantes estrangeiros que se matriculem em instituições de ensino do país.

Segundo o premiê conservador, o governo quer agora limitar em dezenas de milhares o número de imigrantes que chegam ao país por ano. Na última década, disse Cameron, foram “centenas de milhares”.

Cameron também criticou o sistema de bem-estar social britânico por estimular imigrantes e cidadãos a não trabalharem e por permitir que estrangeiros reclamem benefícios ao entrar no país.

“Nunca conseguiremos controlar a imigração corretamente sem lidar com a dependência dos benefícios”, declarou, prometendo mudanças nessa área.

Escolas

O premiê disse que seu governo vai atuar contra instituições de ensino “fraudulentas” que supostamente têm como atividade principal fornecer vistos a estudantes.

“Vamos nos assegurar que todos os estudantes tenham o devido conhecimento da língua inglesa, que apenas estudantes de pós-graduação possam trazer seus dependentes (para morar na Grã-Bretanha) e que, se as pessoas vêm para estudar, que elas apenas estudem e não trabalhem.”

Segundo ele, essas medidas vão ajudar a limitar a 80 mil o número de vistos anuais concedidos a estudantes.

“É simples: as instituições acadêmicas genuínas não têm nada a temer. Mas as demais têm.”

Quanto aos vistos a trabalhadores qualificados, ele disse que a prioridade será dada aos estrangeiros que já tenham oferta de trabalho na Grã-Bretanha e que as empresas "ainda podem mover livremente seus trabalhadores ao redor do mundo, mas não para preencher empregos permanentes que poderiam ser ocupados por trabalhadores britânicos".

Cameron disse reconhecer que os imigrantes “trazem uma enorme contribuição à Grã-Bretanha”, mas agregou que “por tempo demais a imigração tem estado alta demais” – a diferença entre o número de pessoas que entraram no país e as que saíram foi de 2,2 milhões entre 1997 e 2002, segundo o premiê.

Ele acusou seus antecessores trabalhistas de inércia perante o assunto, o que teria dado espaço “para o crescimento de partidos extremistas” xenófobos.

Críticas na coalizão

O discurso do premiê evidenciou as divergências quanto ao debate imigratório dentro da própria coalizão de governo de Cameron.

O secretário de Negócios, Vince Cable, que pertence ao Partido Liberal Democrata, disse que os comentários de Cameron “não foram sábios” e que poderiam inflamar o extremismo dentro da Grã-Bretanha.

O premiê negou e disse que suas palavras foram “moderadas”.

A analista política da BBC News Laura Kuenssberg diz que as críticas de Cable chamaram a atenção por sua força e que o tema da imigração pode se tornar uma pedra no sapato da unidade da coalizão de Cameron.

Antes de entrar no governo, os liberais-democratas haviam se oposto à ideia de impor limites à imigração e defendiam anistia para parte dos imigrantes ilegais que já vivem na Grã-Bretanha.

Quanto à oposição trabalhista, há críticas de que os limites impostos por Cameron não seriam eficientes e de que, em meio aos cortes no Orçamento britânico, o premiê estaria demitindo 5 mil funcionários da agência de fiscalização de fronteiras, dificultando o combate à imigração ilegal.

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