América Latina

México deve parar de combater traficantes que buscam EUA, diz ex-chanceler

Carros na fronteira entre México e Estados Unidos

O tráfico de drogas é um tema delicado das relações México-EUA

O ex-ministro das Relações Exteriores do México Jorge Castañeda disse nesta sexta-feira que as autoridades mexicanas deveriam parar de enfrentar os traficantes que vendem seus produtos para os Estados Unidos.

"Eu acho que o governo deveria concentrar seus poucos recursos no combate a crimes que afetam a sociedade mexicana e deixar os traficantes fazerem seu negócio. O negócio deles é levar a droga para os Estados Unidos", disse o ex-ministro ao programa World Today, da rádio BBC.

Castañeda, um acadêmico que foi chanceler durante o governo do ex-presidente Vicente Fox e é um críticos severo do atual presidente, Felipe Calderón, diz que é chegada a hora de o governo americano assumir parte do custo na guerra mexicana contra as drogas.

"Se os americanos não gostam disso (do tráfico de drogas), deixe que consertem seu próprio país. Não faz sentido continuarmos (a combater os traficantes) enquanto os americanos não diminuem seu consumo (de drogas). Eles não vão diminuir”, disse o ex-chanceler.

"O que é incompreensível é por que o México declarou uma guerra terrivelmente cara contra as drogas que são consumidas pelos americanos. Deixe que os americanos façam isso se eles quiserem. E eu não acho que eles querem", afirmou Castañeda.

As declarações acontecem na semana em que milhares de manifestantes foram à ruas em 20 cidades no México em campanha contra à violência relacionada ao tráfico no país.

Cerca de 35 mil mexicanos morreram em conflitos violentos ligados às drogas desde que o presidente Calderón começou a enviar o Exército para lutar contra os cartéis, em dezembro de 2006.

Cooperação

A sugestão de Castañeda foi rejeitada pelo Procurador-Geral do Estado americano do Arizona, que faz fronteira com o México, Tom Horne. Para ele, as polícias americana e mexicana precisam se unir contra os traficantes.

"Acho que as suas declarações (de Jorge Castañeda) de que nós (os americanos) não estamos lutando na guerra contra as drogas são muito injustas", disse Horne à BBC.

"Temos que lutar contra as drogas nos dois lados da fronteira. O governo mexicano não tem a opção de se render e dizer `ok, podem traficar drogas que nós não iremos interferir´."

Horne afirmou que o problema enfrentado no México é "um desafio à sua soberania" e, citou o exemplo da Colômbia, que tinha problemas sérios com o tráfico e conseguiu vencer parte de suas dificuldades colaborando com o governo americano.

"Eles (os colombianos) prendiam os traficantes de drogas na Colômbia e os extraditavam para serem julgados nos Estados Unidos. Se o México trabalhar tão bem com os Estados Unidos como a Colômbia trabalhou, essas pessoas podem ser derrotadas", afirmou.

Legalização

O Procurador-Geral do Arizona não acredita que a legalização das drogas é uma alternativa viável contra o tráfico.

Segundo ele, uma empresa de drogas legalizada não conseguiria competir com os cartéis ilegais, porque teria que incorrer em custos como impostos, conseguir aprovação do governo para funcionar e provavelmente não poderia vender o produto para jovens.

"Não há produto legal que consiga manter o preço das boas e velhas drogas contrabandeadas", disse.

Na opinião do procurador, a melhor solução para o problema é a educação de jovens sobre a violência gerada por drogas como a maconha.

"(Eles) precisam entender que, se consomem produtos como a maconha, que financia ações criminosas, eles estarão ajudando estas organizações a cometer assassinatos e decapitações", afirmou.

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