América Latina

Prêmio de liberdade de expressão para Chávez gera polêmica na Argentina

Chávez ao chegar à Casa Rosada

Chávez é o segundo mandatário a receber o polêmico prêmio

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, recebeu nesta terça-feira, na cidade argentina de La Plata (leste do país), um prêmio por sua “contribuição à liberdade de expressão”, “à comunicação popular e à democracia”.

O anúncio da entrega do prêmio causou polêmica na Argentina. Autora da ideia, a reitora da Faculdade de Jornalismo da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), Florência Saintout, disse que Chávez merecia o prêmio por sua “contribuição à liberdade de expressão na América Latina”.

Saintout afirmou à emissora de televisão TN (Todo Noticias) que a criação do canal de televisão Telesur foi decisiva para “essa nova comunicação dos povos”.

Numa entrevista à rádio Diez, ela também justificou a premiação devido ao que ocorre na Venezuela. “Nós acreditamos que existe liberdade de imprensa na Venezuela e entregaremos o prêmio a um presidente pelo que faz pela comunicação popular”, afirmou.

Num longo discurso, Chávez agradeceu o prêmio e saudou os "companheiros" presidentes da região. Ele se referiu ainda ao presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, dizendo: "Olha como está o mundo. Obama Prêmio Nobel da Paz. Que parem esse massacre contra o povo da Líbia".

"A Europa não tem uma gota de petróleo, e a Líbia sim, e eles precisam, como vampiros, desse petróleo", disse Chávez.

Antes, ao desembarcar na noite de segunda-feira em Buenos Aires, Chávez disse que se sentia “honrado” com o prêmio, “apesar de ter lido (na imprensa argentina) que o ditador Chávez não merece a homenagem. Nós não fechamos um meio de comunicação sequer na Venezuela. Temos plena liberdade de expressão”, afirmou.

‘Engano’

O presidente venezuelano já foi alvo de diversas críticas da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), que, em 2010, citou Chávez entre os governantes que, na visão do órgão, usam os poderes do governo para restringir a liberdade de imprensa.

A presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da Câmara dos Deputados, Silvana Giudici, foi uma das autoridades da Argentina que criticaram a premiação.

“Um presidente que pede rede nacional e impede a programação aberta, às vezes durante sete horas seguidas, não pode receber um prêmio criado para reconhecer a trajetória jornalística e o respeito às liberdades”, disse Giudici, criticando o cancelamento de concessões de rádio e TV promovidas pelo presidente venezuelano.

Em seu editorial, o La Nación afirmou nesta terça-feira que é “um engano” que o presidente venezuelano receba o prêmio “por sua contribuição à comunicação popular”, “especialmente depois de ter patrocinado o fechamento da Rádio Caracas Televisão (RCTV) e várias emissoras de rádio, assim como pressionado a emissora de televisão (privada e de oposição) Globovisión”.

O jornal Ámbito Financiero destacou disse também que a premiação é um ato “Insólito”, dada forma como Chávez “administra a imprensa”.

Segundo os organizadores, pelo menos 5 mil pessoas eram esperadas à entrega da homenagem na cidade de La Plata, a cerca de uma hora de distância da capital argentina, Buenos Aires.

Chávez foi o segundo presidente a receber o prêmio, chamado Rodolfo Walsh – nome de um jornalista desaparecido na ditadura argentina (1976-1983). Antes, em 2009, a honraria fora entregue ao presidente da Bolívia, Evo Morales.

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