Questão nuclear

UE anuncia realização de testes de segurança em suas usinas nucleares

Van Rompuy e Sarkozy durante encontro da UE em Bruxelas (Foto: AP)

Líderes europeus pedem 'segurança' em seus reatores atômicos

Líderes da União Europeia (UE) concordaram nesta sexta-feira em submeter suas usinas atômicas a “testes de resistência” até o final deste ano, depois que a crise nuclear que se desenrola no Japão colocou em dúvida a segurança dos 143 reatores do bloco.

Em reunião em Bruxelas, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que a segurança das usinas nucleares do bloco deve ser revista com urgência e que uma comissão ficará encarregada de relatar o resultado dos testes.

“Como o perigo não acaba nas fronteiras (da UE), encorajamos e apoiamos os países vizinhos a fazer teste similares”, disse Rompuy.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que, por conta do ocorrido no Japão, todas as 58 usinas nucleares do país serão submetidas a testes e que as que não forem aprovadas “serão fechadas. Isso está claro”.

Segundo o francês, os testes serão conduzidos por peritos “independentes”, e os resultados serão informados ao público. “Uma comissão e reguladores nucleares dirão se (os resultados) serão satisfatórios ou não.”

Efeito Japão

O presidente da Comissão Europeia (braço executivo do bloco), José Manuel Durão Barroso, disse que “os terríveis acontecimentos no Japão nos fazem recordar que, ainda que tenhamos visões e situações diferentes na UE quanto a energia nuclear, devemos nos unir em segurança nuclear. Precisamos nos assegurar que os mais altos padrões de segurança sejam respeitados”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também abordou o tema. Em comunicado nesta sexta-feira, ele disse que a situação no Japão “gerou pedidos urgentes de revisão de como se dá resposta emergencial internacional” ao regime nuclear. “Eu apoio essas exigências”, afirmou.

Após o terremoto japonês, alguns países já começaram a reavaliar seus programas nucleares.

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel suspendeu um acordo para aumentar o tempo de vida de usinas nucleares do país. Na Suíça, o governo adiou decisões sobre a construção de novas usinas.

A crise nuclear japonesa foi desencadeada pelo terremoto seguido de tsunami ocorrido no último dia 11. A tragédia provocou superaquecimento e explosões na usina de Fukushima, resultando no vazamento de radioatividade.

Agora, o país se preocupa com os efeitos desse vazamento na água e nos alimentos e nos decorrentes riscos à saúde da população.

A agência de segurança nuclear do Japão afirmou nesta sexta-feira que um exame rigoroso está sendo realizado para encontrar a causa de um possível vazamento de material radioativo no reator 3 de Fukushima.

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