Afeganistão

Ano de 2010 foi o mais sangrento da guerra no Afeganistão, diz ONU

AFP

Número de civis mortos no ano passado aumentou 15%, diz ONU

Um relatório divulgado pela ONU nesta quarta-feira indica que o ano de 2010 foi o mais sangrento no Afeganistão desde o início da guerra no país, em 2001, com um grande aumento no número de civis mortos pelo segundo ano consecutivo.

De acordo com o levantamento, 2.777 pessoas morreram no país no ano passado - um aumento de 15% em relação a 2009. Somente as mortes de crianças aumentaram em 21%, enquanto que os assassinatos dobraram, chegando a 462.

A ONU afirma que 75% das mortes de civis ocorreram por ações do movimento Talebã e de outros grupos insurgentes. O Talebã contesta os números da ONU, acusando o estudo de ser parcial.

"De onde eles tiram esses números? Que fontes eles têm? As forças estrangeiras são responsáveis por mortes de civis quando realizam bombardeios e disparos", disse à BBC Qari Yusuf Ahmadi, porta-voz do movimento.

Já o número de vítimas civis das forças afegãs e da Otan que atuam no Afeganistão caiu 26%, representando 16% do total de mortos, segundo o relatório.

No entanto, segundo o repórter da BBC em Cabul Quentin Sommerville, a morte de nove meninos em um bombardeiro americano, ocorrida no último dia 1º, mostra que as vítimas das forças estrangeiras causam mais revolta no país do que as do Talebã.

O general americano David Petraeus, comandante das forças da Otan no Afeganistão, pediu desculpas pelo caso, que foi considerado um acidente.

Já o presidente afegão, Hamid Karzai, disse que a ação foi "impiedosa" e que as forças estrangeiras no país teriam "enormes problemas" se a "matança diária de civis inocentes" não acabasse.

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Tendência ‘alarmante’

De acordo com o relatório da ONU, a tendência mais "alarmante" no Afeganistão são as mortes de autoridades do governo, de integrantes de equipes de ajuda humanitária e civis considerados aliados da administração afegã, que aumentaram 105% em 2010.

Correspondentes afirmam que esta tática pretende arruinar os planos da Otan de entregar o controle da segurança do Afeganistão ao exército, à polícia e ao governo do país, o que deve começar ainda este ano.

Em várias regiões do Afeganistão, as autoridades dificilmente viajam às localidades que deveriam administrar. Em vez isto, os governantes vivem protegidos atrás de barricadas montadas em postos militares americanos.

O estudo da ONU aponta ainda que o impacto social e psicológico dos assassinatos "é mais devastador do que uma contagem de corpos poderia sugerir".

Segundo o relatório, a pessoa que participa de uma shura (reunião) distrital para fazer campanha para um candidato, ou para falar livremente sobre um novo líder do Talebã, sabe que a sua decisão tem "consequências de vida ou morte".

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