Oriente médio

ONU escolhe novo enviado para Líbia e acerta envio de equipe ao país

Foto: Getty

Forças rebeldes discutem durante confronto com tropas do governo perto de Bin Jawad

A ONU escolheu um novo enviado para a Líbia e anunciou a visita de uma equipe de avaliação humanitária à capital Trípoli, no momento em que confrontos entre rebeldes e forças leais ao coronel Khadafi se intensificam no país.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, nomeou para a função o ex-ministro das Relações Exteriores da Jordânia Abdelilah Al-Khatib, que "fará consultas urgentes com as autoridades em Trípoli e na região sobre a situação humanitária imediata".

A ONU também pediu acesso urgente à cidade de Misrata, 200 quilômetros a leste da capital, onde combates pesados teriam deixado 21 mortos e mais de 100 feridos.

"Peço que as autoridades permitam acesso sem demora a funcionários de agências humanitárias para ajudar a salvar vidas", disse a coordenadora de Assuntos Humanitários da ONU, Valerie Amos.

A ONU diz ainda que os civis "estão enfrentando o impacto da violência" e pede "a suspensão imediata do uso desproporcional de força e dos ataques indiscriminados contra alvos civis".

Em nota oficial, Ban diz que "aqueles que violarem as leis humanitárias internacionais ou cometerem graves crimes devem ser julgados."

Combates

Grupos rebeldes que lutam pela deposição de coronel Khadafi vêm tentando conter o avanço de tropas leais ao regime, tanto perto da capital como no leste do país.

Um médico da cidade de Misrata disse à BBC que os combates duraram mais de seis horas e que forças do governo "atacaram todas as casas com armamentos pesados. Eles intencionalmente alvejaram e explodiram nossa farmácia. Eles bombardearam até nosso hospital, mas felizmente ninguém ficou ferido. Só eu sei de cinco mesquitas que foram bombardeadas."

Um morador de Misrata, Mohamed Benrasali, disse que houve cenas de júbilo quando as tropas de Khadafi bateram em retirada. Segundo ele, um tanque foi explodido e 16 soldados, mortos. Outros soldados teriam sido capturados e serão interrogados nesta segunda-feira.

Com uma população de 300 mil pessoas, Misrata é a maior cidade controlada por rebeldes fora do reduto da oposição no leste do país.

Moradores pediram que seja criada uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia para impedir que a força aérea de Khadafi ataque.

Rebeldes em Zawiya, a 50 quilômetros de Trípoli, também dizem ter vencido um confronto com tropas do governo no domingo.

As forças leais a Khadafi atacaram no domingo a cidade de Ras Lanuf, grande centro de petróleo, que havia sido tomada por rebeldes no sábado, e teriam também conseguido expulsar os opositores de Bin Jawad.

As forças de oposição ao governo estão concentradas na cidade de Benghazi, no leste do país, onde criaram um Conselho Nacional de Transição que pretende ser reconhecido pela comunidade internacional como o único governo do país.

Nos Estados Unidos, o ex-embaixador para a ONU Bill Richardson e o ex-conselheiro nacional de segurança Stephen Hadley estão entre os que defendem o suprimento de armas para as forças rebeldes na Líbia.

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