Economia

PIB expressivo de 2010 limita crescimento em 2011, dizem analistas

Reuters

PIB do Brasil cresceu 7,5% em 2010, melhor resultado desde 1986

O crescimento do PIB brasileiro em 2010, o maior em 24 anos, representa um resultado expressivo para a economia do país, mas é também um dos fatores que contribuem para a expectativa de um ritmo mais lento em 2011, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, o PIB do Brasil cresceu 7,5% em 2010, o índice mais alto desde 1986, quando teve a mesma variação.

"(2010) Foi um ano de crescimento expressivo, exagerado, além do que a capacidade produtiva do país e o mercado de trabalho suportariam, e isso causa pressão inflacionária", diz o professor de Macroeconomia da FGV-SP Robson Gonçalves.

Na opinião do economista e professor da PUC-SP Antonio Corrêa de Lacerda, as medidas adotadas no fim do ano passado para frear o crédito e esfriar o consumo - como o aumento do compulsório (dinheiro dos bancos que fica depositado no BC) - já dão indícios de que a taxa de crescimento vai diminuir em 2011.

Para Lacerda, o PIB deve crescer algo em torno de 4% e 4,5% neste ano, podendo chegar a 5% e 5,5% caso sejam adotadas, segundo o especialista, medidas para estimular o investimento na produção, como redução dos juros e mudanças no sistema tributário.

PIB do Brasil: variação nos últimos 10 anos

2010: 7,5%
2009: -0,6%
2008: 5,2%
2007: 6,1%
2006: 4,0%
2005: 3,2%
2004: 5,7%
2003: 1,1%
2002: 2,6%
2001: 1,3%
* Fonte: IBGE

Gonçalves não faz previsões para o crescimento neste ano, mas cita o boletim semanal Focus, em que as estimativas de alta do PIB para 2011 já caíram da faixa de 5% para 4%.

"Se um teto de expansão do PIB existe, nós já chegamos a ele", acrescenta o professor da FGV-SP.

Queda de ritmo

Robson Gonçalves avalia que dados prévios relativos ao desempenho da economia no último trimestre de 2010 já indicavam uma desaceleração no ritmo de crescimento, com perda de fôlego em setores como a indústria.

O economista vê a infraestrutura como principal gargalo que impede o Brasil de sustentar um crescimento semelhante ao de 2010 ao longo dos anos. Outra necessidade, segundo o professor da FGV, é a de investir na geração de mão de obra qualificada.

"Além disso, as empresas estão em situação incômoda, com a pressão dos custos pela alta global das commodities, com o aumento dos juros e a pressão dos importados. Isso também forma um contexto de insustentabilidade do crescimento", afirma.

Na avaliação do diretor de Macroeconomia da LCA Consultoria, Fernando Sampaio, a desaceleração da economia registrada no fim do ano passado faz com que o PIB de 2011 "herde" um crescimento menor do que 2010.

A previsão dele é de que, neste ano, o carry-over (crescimento acumulado que se reflete no PIB do ano seguinte) fique entre 1,1% e 1,2%, contra os 3,4% que 2010 "recebeu" de 2009 - quando foi registrado um forte crescimento do PIB no quarto trimestre.

Sampaio prevê que, com o cenário de arrefecimento da economia, o crescimento do PIB em 2011 deve ficar em torno de 3,6%. Na opinião do economista, este ritmo pode aumentar em um prazo de cinco anos, chegando a algo entre 4% e 5%.

Para o diretor da LCA, o maior gargalo para um nível de crescimento sustentável mais elevado no Brasil é o setor de energia. Sampaio avalia que o país corre o risco de enfrentar sérios problemas caso o setor não consiga atender à demanda por energia da indústria a partir de 2013, o que exigiria investimentos imediatos.

Antonio Corrêa de Lacerda também defende investimentos em infraestrutura - principalmente em áreas como energia e transportes - e a consolidação de um modelo sustentável, com equilíbrio social e ambiental. Na opinião do economista, o desafio do Brasil "é mais qualitativo do que quantitativo".

"É preciso garantir que o investimento seja maior do que o consumo, além de incorporar novos cidadãos enquanto consumidores e conseguir um crescimento mais equânime entre as regiões."

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