áfrica

Uganda vota em primeira eleição pacífica após anos de guerra civil

Yoweri Museveni, presidente de Uganda há 25 anos, tenta a reeleição

Ugandenses votam nesta sexta-feira nas primeiras eleições presidenciais e parlamentares pacíficas do país após mais de 20 anos de uma brutal guerra civil.

O presidente Yoweri Museveni, há 25 anos no poder, tenta a reeleição, e tem como principal adversário seu ex-aliado e médico particular, Kizza Besigye.

Besigye, que concorre contra Museveni pela terceira vez e afirma que as eleições serão fraudadas, afirmou que convocará protestos nas ruas se for derrotado. O presidente, entretanto, afirmou que protestos de rua "no estilo Egípcio" serão proibidos no país.

Segundo relatos, a votação ocorre sem maiores problemas tanto na capital, Campala, quanto no norte - pacífico após anos de ataques de rebeldes.

As autoridades do país tentaram reassegurar eleitores de que haveria segurança para a votação. Durante semanas antes da eleição, circularam mensagens de SMS no país pedindo que a população estocasse comida e combustível em caso de distúrbios.

Besigye e Museveni foram aliados na guerra civil que culminou com a chegada de Museveni ao poder em 1986, mas os dois romperam relações depois. Há outros seis candidatos a presidente. Um candidato precisa de mais de 50% dos votos para ser eleito presidente, ou a votação vai para segundo turno.

Esta é a primeira vez que o norte de Uganda vota sem a ameaça direta de ataques dos rebeldes do brutal Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês) - que segundo relatos foram para países vizinhos. Na semana passada, as autoridades afirmaram que cerca de 20 milícias foram formadas antes das eleições, o que despertou temores de violência.

Besigye afirmou que as eleições seriam fraudadas, mas afirmou que seria uma perda de tempo levar o assunto à Justiça.

"Um dos meios possíveis é fazer com que as pessoas protestem por si próprias", disse ele à BBC.

Museveni, por sua vez, disse estar confiante em uma "grande vitória" e advertiu que qualquer um que tentar "meios extra-constitucionais para chegar ao poder" será preso.

"Não haverá revolução no estilo do Egito aqui porque somos soldados da liberdade, não burocratas", disse ele. "Está fora de questão, posso garantir a vocês, não vai acontecer".

Após ser derrotado em 2001, Besigye fugiu de Uganda, dizendo temer por sua vida. Ele voltou antes das eleições de 2006, mas não conseguiu fazer campanha, por ter sido acusado de estupro e de apoio a grupos rebeldes. Besigye diz que as acusações foram parte de uma campanha de perseguição política.

Ele foi absolvido da acusação de estupro em março de 2006 - e ano passado uma Corte Constitucional descartou acusações de traição.

Museveni vem derrotando adversários nas urnas a cada cinco anos desde 1996, apesar de sua popularidade ter caído. Em 1996, ele obteve cerca de 75% dos votos, mas o índice caiu para 59% em 2006.

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