Economia

Dilma tem bom começo, mas ajuste fiscal é desafio, diz ‘Economist’

(Foto: AP)

Presidente será julgada pela condução da economia, diz revista

Nas primeiras seis semanas do novo governo, a presidente Dilma Rousseff “tranquilizou” quem achava que ela seria mais ideológica do que seu “pragmático” antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e deu mostras de que dará mais atenção aos direitos humanos na política externa brasileira, diz a revista britânica The Economist.

Mas, segundo a reportagem, publicada na edição da revista que chegou às bancas nesta sexta-feira, apesar de tudo isso, Dilma será julgada por sua performance na condução da economia.

“Poderá ela sustentar o rápido crescimento sem sacrificar a estabilidade econômica? A tarefa não é fácil”, questiona a reportagem, alegando que Dilma herdou “uma economia superaquecida, com a inflação se acelerando e com empresários se queixando do real forte”.

A Economist elogiou o fato de o governo ter rapidamente se comprometido com a austeridade fiscal, mas advertiu que o plano de cortar R$ 50 bilhões do orçamento deve ser “insuficiente” e “difícil de implementar”.

Isso porque a maior parte do orçamento consiste de coisas difíceis de ser cortadas, como pagamento do funcionalismo, saúde, educação, além dos programas sociais que Dilma prometeu manter intocados.

“Dilma pode ter que aumentar impostos, mas alguns analistas acham que ela vai recorrer a investidores privados para financiar melhorias nos transportes (de olho na Copa do Mundo e nas Olimpíadas). Isso pareceria uma virada radical: durante a campanha presidencial, ela criticou seu adversário, José Serra, pelas supostas tendências privatizantes dele.”

A questão, segundo a revista, é se a presidente conseguirá promover a competitividade das empresas brasileiras, trazer investimentos privados ao crucial setor aeroportuário e conseguir que o Congresso aprove reformas que dinamizem o país.

‘Maturidade’

Ao mesmo tempo, outra reportagem da Economist diz que o Brasil se tornou um mercado extremamente atraente para fundos de private equity e fundos hedge.

Entre os motivos estão “a maturidade do mercado de capital”, a variedade de opções para o investidor e a redução das taxas de juros (com relação ao patamar de 2003, de 26,5%). “Em vez de só aparecer para visitar, (os fundos) agora querem montar escritórios (no Brasil) e contratar negociadores locais.”

A reportagem conclui que mercados emergentes como o brasileiro ainda oferecem riscos – a inflação é um deles –, mas as turbulências do passado deixaram o país mais preparado. Nas palavras de um investidor externo, é como se “eles (os brasileiros) tivessem feito muita quimioterapia e sobrevivido”.

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