
Manifestanes são da maioria xiita e se dizem discriminados
Milhares de manifestantes continuam reunidos na principal praça da capital do Barein, Manama, no terceiro dia consecutivo de protestos por reformas e uma nova constituição no país do Golfo Pérsico.
As forças de segurança reduziram a sua presença ostensiva, supostamente visando reduzir tensões, após a morte dos dois manifestantes em confrontos com a polícia desde a segunda-feira.
O Ministério do Interior do Barein disse que os policiais supostamente envolvidos nas mortes dos manifestantes foram presos.
Muitos dos ativistas participaram nesta quarta-feira do funeral da segunda vítima dos protestos, que foi morta na terça-feira quando participava do funeral da primeira.
Na Praça Pérola, no centro de Manama, muitos manifestantes ergueram tendas, trouxeram cobertores e carpetes e prometem continuar acampados no local até que suas exigências sejam atendidas.
Emprego e moradia
No país, de maioria islâmica xiita, os manifestantes vêm exigindo reformas por parte da monarquia sunita do país.
Além de uma nova constituição, eles pedem, entre outras coisas, que o governo ofereça mais empregos e oportunidades aos xiitas, que se dizem discriminados; forneça melhores moradias à população; liberte todos os presos políticos; crie um parlamento mais poderoso e representativo e indique um novo gabinete que não inclua o primeiro-ministro, xeque Khalifa bin Salman Al Khalifa, que está no poder há 40 anos.
O xiita xeque Ali Salman, líder do principal partido de oposição do país – a Associação Nacional do Acordo Islâmico -, pediu a criação de um ''governo civil'', com um primeiro-ministro eleito pelas urnas.
''O governo deve ser eleito pela população, que teria o direito de cobrar de seus governantes'', afirmou Salman. Atualmente, o rei Hamad Bin Issa Al Khalifa indica o chefe de governo do país.
Salman disse que os parlamentares de sua agremiação irão boicotar o Parlamento, até que suas exigências sejam atendidas.
Estados Unidos
O Barein é um importante aliado dos Estados Unidos na região. A Marinha americana mantêm no país a base de sua Quinta Frota, responsável por operações em uma vasta região que inclui o Golfo Pérsico, o Mar da Arábia e a costa leste da África.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que o governo barenita deve respeitar o direito de protestar de seus cidadãos e pediu aos dois lados que não recorram à violência.
Estamos acompanhando os desdobramentos no Barein e na região como um todo bem de perto, disse.
Desde que conquistou sua independência da Grã-Bretanha em 1971, o Barein vive tensões entre a elite do país e a maioria xiita, com menos poder financeiro.
O rei Hamad fez na terça-feira uma rara aparição televisiva para expressar pesar pela morte dos manifestantes e dizer que as reformas introduzidas no país em 2002, que o transformaram numa monarquia constitucional, terão continuidade.
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Além do Barein, vários países da região estão sendo palco de protestos contra o governo, depois dias seguidos de manifestações no Egito e na Tunísia levaram nas últimas semanas à queda dos presidentes dos dois países.
Nos últimos dias, Líbia, Irã, Argélia e Iêmen tiveram manifestações.
