
Lemi Milla era o ministro de Desenvolvimento Rural desde agosto de 2010
Um ministro do governo do Sudão do Sul foi morto a tiros dentro do prédio do Ministério, em Juba, nesta quarta-feira.
O ministro de Cooperativas e Desenvolvimento Rural, Jimmy Lemi Milla, foi morto por um motorista do ministério, que também matou um segurança e se matou em seguida, segundo informações do Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLM), o principal integrante do governo da região autônoma.
O incidente acontece apenas dias após o anúncio do resultado do referendo que decidiu que o Sudão do Sul se separará do Sudão para se tornar um novo país no dia 9 de julho deste ano.
Motivos pessoais
A razão do ataque ainda não está clara, mas integrantes do Movimento Popular pela Libertação do Sudão dizem que o motivo foi pessoal.
De qualquer forma, o correspondente da BBC em Juba Peter Mardell diz que a população está chocada que algo deste tipo possa ter acontecido em um prédio do governo.
O assassinato também abafou o clima de comemoração pelo resultado do referendo, segundo Mardell.
Milla foi um partidário do Norte do Sudão, mas mudou para o SPLM após o Amplo Acordo de Paz, assinado em 2005 para colocar fim a duas décadas de guerra civil.
Separação
O resultado final do referendo sobre a separação entre norte e sul do Sudão, divulgado na segunda-feira, mostrou que 98,83% dos eleitores votaram pela criação de um novo país no sul.
Na capital sudanesa, Cartum, autoridades do país revelaram que, dos 3.837.406 votos válidos, apenas 44.888 votos, ou 1,17%, foram a favor de manter a unidade sudanesa.
A votação, realizada em janeiro, estava prevista no acordo de paz entre as duas regiões firmado em 2005.
Presidente
O resultado do referendo ocorrido em janeiro foi divulgado horas depois de o presidente sudanês, Omar Al-Bashir, afirmar que aceitaria a vitória do voto pela independência do sul.
"Este é um dos dias mais cruciais para o Sudão. Gostaríamos de parabenizar a população do Sul do Sudão por sua escolha", disse o presidente sudanês.
O líder do Sudão do Sul, Salva Kiir, também prometeu colaborar com Cartum no futuro, afirmando que "muitas coisas unem o sul e o norte".
"A liberdade do sul não é o fim da história porque não podemos ser inimigos. Precisamos construir laços fortes", disse Kiir, que também ocupa o posto de vice-presidente sudanês.
As grandes diferenças que dividem o Sudão são visíveis até do espaço, como mostra essa imagem de satélite da Nasa. Os Estados do Norte são uma área desértica, interrompida apenas pelo fértil vale do Nilo. O Sul do Sudão é coberto por vastas áreas verdes, pântanos e florestas tropicais.
O Sudão exporta bilhões de dólares em petróleo por ano. Os Estados do sul produzem mais de 80% do total, mas recebem apenas 50% das divisas, o que exacerba as tensões com o norte. A região fronteiriça de Abyei, rica em petróleo, realizará um referendo sobre se deve juntar-se ao norte ou ao sul.
Celebração
O sul e o norte já se enfrentaram em duas guerras civis (de 1955-72 e de 1983-2005), nas quais estima-se que mais de 2 milhões de pessoas tenham morrido.
O sul se considera diferente do norte em cultura, religião e etnia, e acredita ter sofrido anos de discriminação.
James Copnall, correspondente da BBC na capital sudanesa, Cartum, diz que assuntos como a disputa pela região de Abyei, na fronteira, a cidadania e recursos como o petróleo terão de ser negociados.
Apesar de ser rico em petróleo, o Sudão do Sul é uma das regiões menos desenvolvidas do planeta, e a tensão com o norte pode trazer ameaças para a segurança.