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Resultado de referendo indica que 99% querem divisão do Sudão

Salva Kiir/AFP

O líder do sul do Sudão prometeu colaborar com o governo de Cartum

O resultado final do referendo sobre a separação do sul do Sudão, divulgado nesta segunda-feira, mostram que a 98,83% dos eleitores votaram pela criação de um novo país.

Na capital sudanesa, Cartum, autoridades do país revelaram que, dos 3.837.406 votos válidos, apenas 44.888 votos, ou 1,17%, foram a favor de manter a unidade sudanesa.

A votação, realizada em janeiro, estava prevista em um acordo de paz entre as duas regiões firmado em 2005, que pôs fim a mais de duas décadas de guerra civil.

A independência do novo país deve ser formalizada em 9 de julho.

Presidente

O resultado do referendo ocorrido em janeiro foi divulgado horas depois de o presidente sudanês, Omar Al-Bashir, afirmar que aceitaria a vitória do voto pela independência do sul.

"Este é um dos dias mais cruciais para o Sudão. Gostaríamos de parabenizar a população do Sul do Sudão por sua escolha", disse o presidente sudanês,

"Nós aceitamos estes resultados e os recebemos bem porque eles expressam o desejo dos cidadãos do sul, e nós apoiamos estes desejos, sejam quais forem", disse Bashir no canal de televisão estatal.

Bashir afirmou que está comprometido com as boas relações com o futuro Estado do Sul.

O líder do Sul do Sudão, Salva Kiir, também prometeu colaborar com Cartum no futuro, afirmando que "muitas coisas unem o sul e o norte".

"A liberdade do sul não é o fim da história porque não podemos ser inimigos. Precisamos construir laços fortes", disse Kiir, que também ocupa o posto de vice-presidente sudanês.

Sudão, um país dividido

As grandes diferenças que dividem o Sudão são visíveis até do espaço, como mostra essa imagem de satélite da Nasa. Os Estados do Norte são uma área desértica, interrompida apenas pelo fértil vale do Nilo. O Sul do Sudão é coberto por vastas áreas verdes, pântanos e florestas tropicais.

O Sudão exporta bilhões de dólares em petróleo por ano. Os Estados do sul produzem mais de 80% do total, mas recebem apenas 50% das divisas, o que exacerba as tensões com o norte. A região fronteiriça de Abyei, rica em petróleo, realizará um referendo sobre se deve juntar-se ao norte ou ao sul.

Desafios

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou o fato de o referendo ter transcorrido de forma pacífica, mas lembrou que o novo país terá desafios como a demarcação de fronteiras, a divisão de riqueza e questões relativas à cidadania e à segurança e, apara isso precisará de ajuda da comunidade internacional.

Os Estados Unidos também disseram que o país africano seria removido da lista de países acusados de patrocinar o terrorismo se o referendo chegasse ao fim pacificamente.

Apesar de a votação ter transcorrido sem violência, a tensão permanece na região da fronteira entre norte e sul com pelo menos 50 pessoas mortas no último fim de semana em conflitos entre soldados no Estado do Alto Nilo, no sul.

Foto: Reuters

Omar Al-Bashir diz que respeitará o resultado do referendo do Sudão

O confronto aconteceu por causa de uma disputa para saber quem ficaria com a artilharia pesada quando o equipamento for levado para o norte da nova fronteira.

Celebração

O sul e o norte já se enfrentaram em duas guerras civis (de 1955-72 e de 1983-2005), nas quais estima-se que mais de 2 milhões de pessoas morreram.

O sul se considera diferente do norte em cultura, religião e etnia, e acredita ter sofrido anos de discriminação.

James Copnall, correspondente da BBC na capital sudanesa, Cartum, diz que assuntos como a disputa pela região de Abyei, na fronteira, a cidadania e recursos como o petróleo terão de ser negociados.

Apesar de ser rico em petróleo, o sul do Sudão é uma das regiões menos desenvolvidas do planeta, e a tensão com o norte pode trazer ameaças para a segurança.

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