Protestos no Egito

Patriota diz que Egito deve respeitar 'aspirações' de manifestantes

Reuters

Para Patriota, a democracia não deve agravar uma situação já tensa

O Ministro de Relações Exteriores Antônio Patriota disse, nesta segunda-feira, que o Egito deve respeitar o desejo de mudanças dos manifestantes que há duas semanas estão protestando contra o governo de Hosni Mubarak.

Sem comentar sobre um possível apoio do governo brasileiros à uma eventual deposição de Mubarak, Patriota alertou para o risco de haver interferência internacional no governo egípcio.

"Esperávamos que as aspirações dos manifestantes fossem levadas em devida consideração, dentro de um contexto de aprimoramento institucional e democrático do Egito", afirmou Patriota em entrevista à BBC Brasil e à Folha de S.Paulo durante sua primeira visita à Venezuela.

"Ir além disso é interferência indevida nos assuntos internos do país”, disse Patriota. "Compete aos egípcios decidirem como encaminhar essa situação."

Tensão

O chanceler não quis comentar se o Brasil apoiaria um governo de transição no país e disse que a diplomacia não deve agravar a situação de tensão já existente. "A primeira coisa que a diplomacia deve fazer é não agravar uma situação de tensão”, afirmou.

Acompanhando as recentes declarações da presidente Dilma Rousseff, Patriota disse que o desenlace "desejável" para o Brasil "(é que no Egito exista) democracia, respeito aos direitos humanos, liberdade de expressão", afirmou.

O Brasil deve emitir uma nova nota de protesto contra as agressões sofridas por dois jornalistas da Rádio Nacional e TV Brasil, que foram detidos no Cairo, no dia 2.

De acordo com o chanceler brasileiro, por enquanto, a ONU descarta tratar a crise no Egito no âmbito do Conselho de Segurança. O assunto foi levado a uma primeira "consulta" entre os membros, porém, não houve consenso.

"Nas consultas mantidas até agora com os demais membros do Conselho, não prevaleceu este sentimento que deva ser tratado lá (no CS)", disse Patriota.

Obama

Em relação à visita que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará ao Brasil em março, Patriota disse esperar que o líder americano apóie a iniciativa brasileira de promover uma reforma no Conselho de Segurança que permita a incorporação dos países em desenvolvimento ao seleto grupo de membros permanentes do Conselho.

"O Brasil é um país com credenciais impecáveis em defesa da paz, do direito internacional e promoção de consenso no Conselho de Segurança".

O chanceler brasileiro deu sinais de que o apoio de Obama, à exemplo do que ocorreu em sua visita à India, seria importante para relançar as relações entre ambos países.

"Esperamos que os Estados Unidos apóiem este tipo de plataforma (que promove a reforma do Conselho). Mas isso é uma decisão americana", disse.

Analistas consideram que o "mal-estar" gerado em Washington em conseqüência da decisão brasileira de votar contra a aplicação de novas sanções ao Irã - como resposta ao desenvolvimento de seu programa nuclear - possa impedir que os EUA apóiem a entrada do Brasil ao CS, caso a reforma seja realizada.

Questionado se em sua gestão haverá uma mudança na tendência “latinoamericanista” impressa durante o governo Lula, Patriota disse que seu giro pela América do Sul era a resposta.

O Brasil costura uma possível adesão da Colômbia ao Mercosul. Na Venezuela, Patriota, que se reuniu com o presidente Hugo Chávez, disse que trabalharia a “ambiciosa” agenda de cooperação.

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