Economia

Análise: Fórum de Davos reflete mundo 'esgotado' após crise global

Participantes chegam ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça

Fórum irá refletir o 'esgotamento' depois da crise global

A pior parte da crise econômica mundial pode já ter passado, mas o mundo que se reúne na cidade suíça de Davos, onde começou nesta quarta-feira o Fórum Econômico Mundial, é um mundo esgotado.

De acordo com o professor Klaus Schwab, o homem que criou a reunião anual dos mais importantes líderes do setor empresarial e políticos há 41 anos, é um mundo que sofre de "síndrome de burnout (esgotamento) global", fraco demais para aguentar outro choque global.

A crise também criou novas realidades. Durante anos, o fórum forneceu uma imagem perfeita da reformulação do equilíbrio de poder no mundo, do ocidente para o oriente e (em menor escala) do norte ao sul.

A pauta de 2011 confirma as novas superpotências: primeiro e mais importante, a China; então a Índia, ainda emergente; e concorrentes como o Brasil e outros países ricos em commodities.

Por exemplo: os nomes de algumas sessões oferecidas para as 2,5 mil pessoas que vão participar do fórum são "O Futuro dos empreendimentos chineses", ou então "O Impacto da China no Comércio e Crescimento Global".

Uma destas sessões, "Novas Realidades da China Moderna", teve o dobro do número de interessados em relação ao número de vagas.

E a sessão sobre a "Reformulação da Economia Americana" está sendo liderada por um membro da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Então não é surpreendente que a China envie sua maior delegação na história do Fórum de Davos, apesar de politicamente não ser a mais poderosa em comparação com anos anteriores.

Riscos globais

Todo ano, antes da reunião, o Fórum Econômico Mundial produz o relatório Riscos Globais e, em 2011, ele foi particularmente sombrio, listando dezenas de riscos interligados e complexos que podem prejudicar ainda mais governos já prejudicados pela crise financeira.

"Temos que ser cuidadosos para que esta crise não se transforme em uma crise social, o que já ocorre em alguns países", afirmou Klaus Schwab.

O lema de Davos é "comprometido em melhorar o estado do mundo". Mas o fórum não vai resolver estes problemas, não foi criado para isto. O evento é para conversas e networking, mas alguém pode estabelecer a pauta, gerar novas ideias, estabelecer relações.

Os organizadores esperam que as discussões possam estimular os líderes a agirem. Não é uma perspectiva fora da realidade, pois 19 governos dos países membros do G20 enviarão ministros, chefes de Estado ou de governo.

O fórum também vai lançar uma "rede global de resposta a riscos", uma tentativa de juntar os conhecimentos de avaliadores de riscos das corporações com os conhecimentos de autoridades de governos.

Europa

Participantes do Fórum Econômico Mundial em Davos

Fórum também tem festas e reuniões mais amenas

A China pode dominar a pauta, mas os líderes da Europa são os que vão tentar deixar suas marcas nas discussões.

A maioria dos discursos mais importantes do fórum serão de políticos da Europa. Falarão o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, além do presidente russo, Dmitry Medvedev – que abriu o evento, nesta quarta-feira.

O primeiro-ministro grego, George Papandreou – que enfrentou violentos protestos nas ruas em 2010 devido à crise econômica no país -, deve fazer uma ofensiva durante o fórum, expondo seu caso em público e conversando em particular com jornalistas e banqueiros.

Todos os líderes europeus tentarão enfrentar o pessimismo de sessões agendadas no fórum que trazem títulos como "Zona do Euro: mudando de sobrevivência para renascimento".

Terrorismo e outras questões de segurança também estão na pauta, mas, em relação a isso, o atentado em um aeroporto de Moscou nesta semana provavelmente vai geram mais conversas do que Afeganistão e Paquistão.

Outra sessão que foi incluída no evento ecoa a instabilidade no norte da África: "Tunísia - Ponto de Mudança ou Tsunami".

Fórum masculino

O governo dos Estados Unidos, que foi a grande ausência dos últimos anos, vai enviar o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e 35 países vão enviar chefes de Estado ou de governo.

A presidente Dilma Rousseff não comparecerá ao evento, que termina no domingo. O governo brasileiro será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota.

As mulheres não serão bem representadas no fórum. Tanto que o Fórum Econômico Mundial sentiu a necessidade de dizer aos cem "parceiros estratégicos" - de Goldman Sachs ao Deutsche Bank - que pelo menos um quinto dos representantes das companhias deveriam ser mulheres.

Isso não significa que não há espaço para diversidade. Chefes das mais importantes companhias do mundo vão se misturar com "pioneiros da tecnologia", empreendedores sociais, líderes religiosos, membros das ONGs Greenpeace e Oxfam, e líderes culturais como o ator Robert de Niro e o vocalista da banda U2, Bono.

A cada noite, os hotéis de Davos terão dezenas de festas, recepções e jantares particulares. Executivos estressados poderão participar de sessões como "Liderança Shakespeariana" ou "Música para Mudança Social".

No final das contas, é esta mistura eclética que participantes que torna Davos especial, apesar de sua pauta mais pesada.

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