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Obama elogia primeiro dia de referendo no Sudão

Manifestações em Juba, capital do sul do Sudão (Reuters)

Referendo sobre divisão do país começou neste domingo

Milhares de eleitores participaram neste domingo no referendo sobre a emancipação do sul do Sudão. A votação permanece aberta até o dia 15 de janeiro.

A expectativa é de que a região confirme a separação do norte, criando o mais novo país do mundo.

O presidente americano, Barack Obama, elogiou o primeiro dia da votação, que ocorreu sem grandes problemas.

Ele afirmou que o processo é “um passo histórico em direção à implementação do acordo de paz”, que colocou um fim à guerra entre o norte e o sul do país em 2005.

Obama disse ainda que os EUA estão totalmente comprometidos em ajudar o possível novo Estado africano.

O Departamento de Estado divulgou uma nota elogiando o presidente sudanês, Omar al-Bashir, por seu compromisso em aceitar o resultado do referendo.

As informações são de que houve um grande comparecimento às urnas no sul do país.

Momento emocionante

Um dos primeiros a voltar foi o líder sul-sudanês Salva Kir.

"Este é um momento histórico, aguardado pelo povo do sul do Sudão", afirmou, em meio às comemorações.

A votação faz parte do acordo que terminou a guerra civil entre o norte e o sul depois de duas décadas, em 2005.

Para muitos, o voto foi um momento emocionante.

"Meu voto é pela minha mãe e pelo meu pai, meus irmãos e irmãs assassinados na guerra", afirmou Abraham Parnyang pouco antes de votar em Juba, a capital sulista.

"Também voto pelos meus futuros filhos, se Deus quiser, para que possam crescer em um Sudão do Sul que seja livre e pacífico."

Os líderes do norte do país, de maioria muçulmana, prometeram respeitar o resultado do referendo, que pode criar um país de maioria cristã ou de religiões tradicionais.

No entanto, no sábado, o presidente Omar al-Bashir advertiu sobre o risco de instabilidade no "novo" país.

'Árabes vão embora'

O eleitor Mawien Mabut, um soldado, afirmou ter visto "a guerra por dentro" e disse que é preciso "parar a guerra agora".

Ele acrescentou ainda estar feliz "porque os árabes vão embora".

O sul do Sudão tem altos níveis de analfabetismo, por isso, as cédulas eleitorais apresentam a escolha entre dois símbolos: uma mão para a independência e duas mãos dadas pela manutenção do Sudão unificado.

No sábado, o líder Kir disse que o referendo "não marca o fim da jornada, mas sim o início de uma nova".

Ataque rebelde

Em discurso ao lado do senador americano John Kerry, que participou de reuniões com ambos os lados para evitar problemas no processo eleitoral, Kir pediu "paciência" aos eleitores, caso não conseguissem votar logo no primeiro dia.

Observadores afirmaram neste domingo que o processo eleitoral parece estar transcorrendo tranquilamente e com boa organização.

No entanto, um grupo de rebeldes atacou militares sul sudaneses no sábado no Estado de Unity, rico em petróleo.

Um porta-voz militar afirmou que quatro rebeldes morreram.

A ONU confirmou ter recebido relatos de ataques na região, mas não soube informar detalhes sobre as mortes.

Sudão, um país dividido

As grandes diferenças que dividem o Sudão são visíveis até do espaço, como mostra essa imagem de satélite da Nasa. Os Estados do Norte são uma área desértica, interrompida apenas pelo fértil vale do Nilo. O Sul do Sudão é coberto por vastas áreas verdes, pântanos e florestas tropicais.

O Sudão exporta bilhões de dólares em petróleo por ano. Os Estados do sul produzem mais de 80% do total, mas recebem apenas 50% das divisas, o que exacerba as tensões com o norte. A região fronteiriça de Abyei, rica em petróleo, realizará um referendo sobre se deve juntar-se ao norte ou ao sul.

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