Brasil

Dilma diz que combate à pobreza será luta 'mais obstinada' de seu governo

Reuters

Dilma prometeu manter a estabilidade econômica e combater a inflação

Em seu primeiro discurso como presidente do Brasil, a petista Dilma Rousseff afirmou que “a luta mais obstinada” de seu governo será a erradicação da miséria no país.

O pronunciamento foi feito no Congresso Nacional no início da tarde deste sábado, logo após Dilma ter sido empossada como a primeira mulher presidente do Brasil.

“A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos. Uma expressiva melhora ocorreu nos dois mandatos do presidente Lula, mas ainda existe a pobreza a envergonhar e a impedir a nossa afirmação plena como povo desenvolvido”, disse Dilma.

Antes, em cerimônia no Congresso Nacional, Dilma e seu vice, Michel Temer, prestaram juramento à Constituição e foram declarados empossados pelo presidente do Senado, José Sarney.

Além de Dilma, Temer e Sarney, compunham a mesa o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cesar Peluzo, e outros congressistas.

Mulher

Primeira mulher presidente, Dilma afirmou que a sua eleição “dignificava cada mulher brasileira”.

“(A eleição) vem abrir portas para que muitas mulheres possam ser presidentas, e para que, no dia de hoje, todas as mulheres brasileiras sintam orgulho de ser mulher”, disse Dilma.

No discurso, a petista também elogiou seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Sob sua liderança, o povo brasileiro fez travessia para outra margem de nossa história. Minha missão é consolidar essa passagem”.

Segundo a presidente, o governo Lula, no qual atuou como ministra desde 2003, reduziu “uma histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando milhares a alcançar a classe média”.

“Mas num país com a complexidade do nosso é preciso querer mais, inovar mais, buscar novos caminhos”, disse.

Liberdade e estabilidade

A presidente também disse ter um compromisso “inegociável com a garantia plena das liberdades individuais, da liberdade de culto e de religião, da liberdade de imprensa e de opinião”.

“Reafirmo que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio e a censura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos.”

Dilma disse ainda que a redução das desigualdades de renda e regionais ocorreria por meio do crescimento econômico e prometeu manter a estabilidade econômica e combater a inflação.

“Isso significa, reitero, manter a estabilidade econômica como valor absoluto. Já faz parte de nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.”

Chuva

Devido à forte chuva que atingia Brasília, programação da chegada de Dilma ao Congresso foi alterada. Em vez de entrar pela frente do Congresso, ela entrou pela Chapelaria, uma área coberta, causando agitação entre os militares que a acompanhavam.

Antes do discurso da presidente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que ela “sabe perfeitamente o que fazer em termos de política econômica”.

“Nós sempre conversamos bastante, estamos muito afinados”, afirmou.

O novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ressaltou a “base governista bastante sólida” do governo no Congresso.

“Não posso imaginar que não teremos momentos de grande discussão com o Congresso, (...) mas imagino que teremos mais tranquilidade”, disse.

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