Estados Unidos

Ganhos no Afeganistão ainda são ‘frágeis’, diz Obama

Obama ao lado do vice Joe Biden após discurso sobre revisão estratégica (Foto: AFP)

Para Obama, desafio agora é tornar conquistas 'duráveis e sustentáveis'

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que os Estados Unidos e seus aliados estão no caminho certo para desmontar as operações extremistas no Afeganistão e no Paquistão, mas ressaltou que os ganhos “ainda são frágeis e reversíveis".

"Não há dúvidas de que estamos livrando mais áreas do Talebã, e mais afegãos estão reivindicando suas comunidades de volta”.

Em discurso à imprensa por conta da revisão anual estratégica para o Afeganistão e o Paquistão, apresentada nesta quinta, o presidente americano agregou que a guerra “continua a ser uma empreitada muito difícil".

"Mas, graças ao serviço extraordinário de nossas tropas e nossos civis, estamos no caminho para conquistar nossos objetivos”.

Desafios

O texto da revisão afirma que a liderança da Al-Qaeda está em seu estágio mais fraco desde 2001, ano dos ataques de 11 de Setembro, e que as recentes ofensivas das tropas ocidentais e afegãs contra o Talebã estão conseguindo conter o grupo radical em grande parte do Afeganistão.

“Enquanto a estratégia mostra progressos (no combate a extremistas), o desafio segue sendo tornar nossas conquistas duráveis e sustentáveis”, relata o texto.

O relatório acrescenta que os Estados Unidos fizeram progresso suficiente para iniciar uma “redução responsável” de forças no Afeganistão a partir de julho de 2011.

Os EUA pretendem encerrar as operações de combate no país em 2014 e transferi-las para o Exército afegão.

Mortes

A revisão da Casa Branca é lançada em um momento em que as mortes de civis no Afeganistão estão no seu pico desde a invasão do país, em 2001. O ano de 2010 também desponta como o mais sangrento para as tropas estrangeiras – em especial as americanas – que combatem no país.

Ao mesmo tempo, é cada vez menor o apoio dos americanos à continuidade do combate.

Em seu discurso, Obama disse que queria recordar aos americanos que o objetivo da guerra era derrotar a Al-Qaeda nas áreas tribais afegãs e paquistanesas, “de onde terroristas lançaram ataques contra nosso território e os de nossos aliados”.

No caso do Paquistão – cuja fronteira porosa com o Afeganistão é vista como um bastião de extremistas –, o texto da revisão diz que Washington está “montando a fundação para uma parceria estratégica (com Islamabad) baseada em respeito e confiança mútuos” e diz que o país progrediu no combate a radicais, mas admite que a aliança bilateral ainda é “desigual”.

Segundo análise do correspondente em segurança e defesa da BBC Nick Childs, a revisão é mais importante por seu tom do que por seus detalhes. O veredicto, diz ele, é que a estratégia de contrainsurgência deu resultados, mas eles não são decisivos. “São desiguais e mais lentos do que Washington esperava”, diz Childs.

Além disso, ele diz que a performance das forças afegãs no combate aos radicais ainda é motivo de dúvidas, bem como a eficiência dos governos de Cabul e Islamabad.

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