América Latina

Soldados da ONU levaram cólera ao Haiti, diz relatório

Menina com sintomas de cólera em hospital em Porto Príncipe

Desde o início da epidemia, cólera matou 2.120 pessoas no Haiti

Soldados da missão de paz da ONU são a mais provável origem da epidemia de cólera que atinge o Haiti, segundo o relatório de um especialista francês que vazou à imprensa.

O epidemiologista Renaud Piarroux conduziu sua pesquisa em nome dos governos da França e do Haiti.

Fontes que tiveram acesso ao relatório dizem que ele revela fortes indícios de que a epidemia de cólera foi causada pela contaminação de um rio por soldados do Nepal que integram a missão da ONU no país, a Minustah.

Chefiada pelo Brasil, a missão disse que “não havia provas conclusivas” de que os seus soldados eram a origem da epidemia.

A missão afirmou que o relatório do especialista francês era “um entre muitos”, mas que o levava muito a sério.

A cólera matou 2.120 pessoas no Haiti, e cerca de 100 mil estão sendo tratadas, de acordo com o governo haitiano.

Base nepalesa

Uma cópia do relatório à que a agência Associated Press teve acesso revela que a fonte da epidemia foi uma base nepalesa da missão de paz, cujos banheiros teriam contaminado o rio Artibonite.

O rio era o principal foco da doença quando ela começou a se propagar em outubro.

Muitos haitianos já vinham acusando os soldados nepaleses de levar a doença ao país, promovendo violentos protestos contra a presença deles.

O tipo de cólera encontrado no Haiti é o mesmo que um presente no sul asiático e em outros países latino-americanos.

Numa entrevista na semana passada, Piarroux disse que a cólera havia sido "importada" pelo Haiti, já que o país não registrava uma epidemia da doença há mais de um século.

“Ela começou no centro do país, não pelo mar nem em campos de refugiados. A epidemia não pode ter origem local”, ele disse à agência France Presse.

A Minustah está no Haiti desde 2004 e ajudou a restabelecer a ordem política após anos de distúrbios.

Ela também tem participado dos esforços de ajuda humanitária desde o terremoto de janeiro, que matou cerca de 230 mil pessoas.

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