Meio Ambiente

Negociadores em Cancún correm contra o tempo para entregar propostas a ministros

Manifestação de ambientalistas em praia de Cancún

Reunião em Cancún entra em sua fase final a partir da quarta-feira

Faltando três dias para o fim da conferência das Nações Unidas sobre o clima, negociadores correm contra o relógio para finalizar textos que possam ser aprovados pelos ministros de Estado que, de quarta a sexta-feira, realizarão o chamado segmento de alto nível do encontro.

Nesta segunda parte da reunião, a expectativa é de que se aprovem documentos que deixem o caminho aberto para a assinatura de um tratado no ano que vem, em Durban, na África do Sul.

Os entraves para isso, no entanto, são grandes. Observadores dizem que os textos que estão na mesa atualmente são técnicos demais para o nível ministerial, além de muitas vezes não apresentarem um meio termo, mas sim duas (ou mais) posições conflitantes.

"Até o momento, só ouvimos as posições já conhecidas. Faço um apelo para todos os envolvidos procurarem um meio termo. Já sabemos de onde cada um vem. Agora precisamos saber para onde vamos", afirmou nesta segunda-feira a negociadora-chefe da União Europeia, a dinamarquesa Connie Hedegaard.

Ação em dupla

Por isso mesmo, a presidência da conferência, exercida pelos anfitriões mexicanos, escalou países em dupla para resolverem algumas das pendências mais polêmicas.

Ao Brasil, junto com a Grã-Bretanha, coube a tentativa de resolver o trilho de negociações sobre o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, mas corre o risco de não ter sequência desde que o Japão, ainda na semana passada, anunciou não ter intenções de assumir novos compromissos sob o acordo.

O negociador brasileiro embaixador Sérgio Serra admitiu nesta segunda-feira a possibilidade de uma prorrogação no período de consultas, para tentar facilitar a vida dos ministros.

Os japoneses não querem se prender a rigorosas metas de cortes de emissão de gases do efeito estufa sem que concorrentes comerciais diretos como os Estados Unidos e a China não tenham obrigações legais de redução.

Os americanos nunca ratificaram o tratado de Kyoto, e a China, como país em desenvolvimento, não tem obrigação legal de implementar cortes, segundo o protocolo.

Por isso, os japoneses preferem um novo acordo que inclua tantos os Estados Unidos quanto outros emergentes de forma que todos tenham responsabilidades legais.

'Melhor dos males'

De acordo com Sérgio Serra, no momento brasileiros e britânicos tentam contornar a crise criada pelo anúncio japonês, que parece irreversível.

"Se os japoneses não forem mudar a posição completamente, queremos que pelo menos não se tornem um obstáculo para o resultado dessa conferência", disse Serra.

A ideia de um novo acordo abrangente, no entanto, esbarra principalmente no fato de que o trilho de negociações sobre ações de longo prazo - que poderia gerar um protocolo deste tipo - está muito longe de poder ser adotado como um acordo vinculante.

"Temos que ter cuidado para não abrirmos mão de algo que temos e que levou anos para conquistarmos por algo que não existe", alertou Connie Hedegaard.

Em outras áreas, parece ter havido mais progresso. No entanto, poucos acreditam que algum acordo mais forte possa ser fechado até sexta-feira em Cancún.

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