
Durante o auge da crise econômica, Fed comprou US$ 1,75 tri em títulos
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) anunciou nesta quarta-feira que injetará US$ 600 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) na economia americana até junho de 2011 por meio da compra de títulos do Tesouro de longo prazo.
A medida – chamada de relaxamento quantitativo – já era aguardada, mas analistas de mercado esperavam um valor menor, entre US$ 300 bilhões e US$ 500 bilhões.
O valor anunciado significa investimento de cerca de US$ 75 bilhões por mês nos próximos oito meses.
Esta é a segunda vez que o Fed recorre esse tipo de medida. Durante o auge da crise econômica mundial, entre 2008 e 2009, foram investidos US$ 1,75 trilhão na compra de títulos.
Além disso, o banco central americano já anunciou que irá reinvestir entre US$ 250 bilhões e US$ 300 bilhões em rendimentos de títulos lastreados em hipotecas na compra de dívidas do Tesouro até o final de junho do próximo ano.
Relaxamento quantitativo
A nova decisão foi anunciada após reunião do Federal Open Market Committee (Fomc, na sigla em inglês, órgão equivalente ao Comitê de Política Monetária brasileiro).
O objetivo do relaxamento quantitativo é baixar os juros de longo prazo e, assim, aumentar a liquidez e estimular a demanda.
A medida geralmente adotada por governos para impulsionar a economia é baixar a taxa de juros.
Os Estados Unidos, porém, não têm essa opção, porque a taxa de juros no país já está próxima de zero, e não há mais espaço para baixar.
Com o relaxamento quantitativo, o governo americano vai, na prática, imprimir dinheiro para comprar os títulos de longo prazo.
Segundo o Fed, o programa será revisado periodicamente e ajustado conforme a necessidade.
Última oportunidade
A medida é vista por alguns analistas como uma última oportunidade de estimular a economia do país.
Os Estados Unidos saíram da recessão em junho de 2009 (depois de 18 meses), mas o ritmo da recuperação é considerado insuficiente para baixar a taxa de desemprego, que há vários meses permanece próxima de 10%.
Os dados mais recentes, divulgados na semana passada, indicam que o PIB (Produto Interno Bruto) americano cresceu apenas 0,5% no terceiro trimestre (o que representa uma taxa anualizada de 2%).
O ritmo lento da recuperação econômica é considerado um dos fatores que motivaram os eleitores americanos a tirar do Partido Democrata a maioria na Câmara dos Representantes (deputados federais)
O partido do presidente Barack Obama sofreu uma derrota histórica nas eleições legislativas desta terça-feira, ao perder 60 cadeiras da Câmara dos Representantes que estavam em seu poder para candidatos da oposição, dando assim o controle da Casa ao Partido Republicano.
Nesta quarta-feira, o próprio Obama admitiu que o resultado demonstra a profunda frustração dos americanos com o ritmo lento da recuperação da economia.
Emergentes
Um dos temores é que a medida anunciada pelos Estados Unidos possa aumentar ainda mais o fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes, como o Brasil – que tem uma das mais altas taxas de juros do mundo.
O governo brasileiro vem adotando medidas para conter essa entrada de capital e interromper a trajetória de desvalorização do dólar frente ao real.
Um real muito valorizado torna as exportações brasileiras menos competitivas no mercado externo.
No entanto, como a medida do Fed já era aguardada pelo mercado, a Bolsa de Valores de São Paulo se manteve em alta após o anúncio.

