Oriente médio

Entenda por que a Al-Qaeda pode estar se expandindo no Iêmen

Ataque militar no Iêmen

O governo central iemenita hoje enfrenta duas insurreições no país

No ano passado, pacotes com bombas originários do Iêmen levaram autoridades nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha a declarar estado de alerta.

Um ex-membro da Al-Qaeda ajudou serviços de segurança a localizar os pacotes com explosivos, encontrados em aviões, supostamente endereçados a sinagogas dos Estados Unidos.

O caso colocou o Iêmen mais uma vez no centro das atenções da mídia internacional. Especialistas em segurança e os Estados Unidos veem o país como um foco cada vez mais ativo de ameaças terroristas.

Os ataques contra alvos ocidentais no país têm aumentado. Em dezembro passado, um homem nigeriano tentou explodir um avião que viajava de Amsterdã para Detroit, nos Estados Unidos, depois de ter passado um tempo no Iêmen, onde teria feito contato e recebido instruções da rede Al-Qaeda.

Veja abaixo algumas razões que explicam por que o país é visto como um terreno fértil para atividades extremistas.

Economia

O Iêmen é o mais pobre dos países árabes, com uma taxa de desemprego por volta de 40%. A população de 22 milhões deve dobrar até 2035 e seus recursos de água e petróleo se mostram cada vez mais escassos.

Especialistas citados pelo jornal iemenita Yemen Times calculam que os reservatórios que abastecem a capital do país, Sanaa, podem secar completamente nos próximos anos.

A saída apontada seria a dessalinização da água do mar, mas este é um processo caro.

Pelo menos 90% das exportações e 75% da receita do governo vêm do setor petrolífero, que está em decadência no país.

O Banco Mundial calcula que as reservas do país podem se esgotar até o final da década.

O governo do Iêmen diz apostar na descoberta de novos poços no mar, mas o aumento da pirataria no Golfo de Áden pode prejudicar a exploração de petróleo na costa.

As tentativas do governo de estimular o turismo para diversificar a economia vêm sendo prejudicadas por uma série de ataques de extremistas, incluindo a rede Al-Qaeda.

Apoio popular

Analistas acreditam que o grosso da população iemenita vê a política dos Estados Unidos no Oriente Médio com hostilidade. A aliança fechada pelo presidente Ali Abdullah Saleh com o Ocidente após os ataques de 11 de setembro de 2001 geraram grande descontentamento no país.

Vários iemenitas acham que a insistência de potências ocidentais com a introdução de medidas antiterrorismo no país pode ter o efeito oposto, incentivando o apoio à Al-Qaeda e grupos afiliados.

Um popular xeque iemenita chegou a afirmar que delegados participando de uma conferência internacional de doadores em Londres em janeiro estava planejando a "invasão do Iêmen".

Analistas também apontam para o aumento da repressão contra militantes na vizinha Arábia Saudita como uma das razões para o aumento da atividade extremista no Iêmen.

Esses militantes estariam buscando refúgio nas vastas montanhas sem lei do sul do Iêmen.

Muitos dos integrantes da Al-Qaeda que atuavam no Iraque teriam buscado refúgio no país, segundo analistas.

A política do governo de libertar comandantes da Al-Qaeda que prometerem não se engajar novamente em atividades extremistas parece ter aumentado o poder da rede, ao invés de diminuí-lo.

Há também ligações históricas entre o Iêmen e a Al-Qaeda.

O pai de Bin Laden era iemenita e o maior contingente de detidos pelos militares americanos na Baía de Guantánamo saiu do país.

Corrupção e divisão

Em janeiro, o Iêmen figurava na 154ª posição, entre 180 países, no índice global de corrupção da ONG Transparência Internacional. O presidente Ali Abdullah Saleh, há 31 anos no poder, é acusado de reprimir violentamente a oposição e de enriquecimento ilícito.

O governo central enfrenta duas insurreições diferentes, no norte e no sul do país.

No norte, grupos armados xiitas entram em choques esporádicos com Forças de Segurança desde meados da década passada. A minoria de xiitas reclama de discriminação no país majoritariamente sunita.

Apesar de ser uma das civilizações conhecidas mais antigas do mundo, o país foi unificado apenas em 1990, quando o Iêmen do Norte (República Árabe do Iêmen) incorporou o Iêmen do Sul (República Democrática do Iêmen).

Atualmente, a região sul deseja mais poder, dividendos e autonomia.

Atuam também no sul do país grupos guerrilheiros separatistas que desejam o fim do vínculo com o governo central.

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