Eleições 2010

Brasil votou pela continuidade das políticas de Lula, diz 'NYT'

Apoiadora de Dilma comemora vitória em praia do Rio de Janeiro (AFP)

Vitória de Dilma Rousseff foi destaque na imprensa internacional

A eleição de Dilma Rousseff como primeira mulher presidente do Brasil ganhou destaque na imprensa internacional neste domingo.

Em uma reportagem assinada pelo correspondente em São Paulo, o jornal The New York Times afirma que os brasileiros "votaram fortemente pela continuidade das políticas econômicas e sociais de seu popular presidente, Luiz Inácio Lula da Silva".

"Ao escolher Rousseff, que não tem nenhuma experiência em cargos eletivos, em vez de José Serra, os eleitores enviaram a mensagem de que preferem dar ao governista Partido dos Trabalhadores mais tempo para ampliar as bem-sucedidas políticas econômicas de (Lula) Da Silva, cujo governo aprofundou a estabilidade econômica e tirou milhões de brasileiros da pobreza para a classe média baixa", diz o texto.

A reportagem diz ainda que Dilma se une à crescente onda de mulheres democraticamente eleitas na região e no mundo nos últimos cinco anos, entre elas Michelle Bachelet (ex-presidente do Chile), Cristina Kirchner (presidente da Argentina) e Angela Merkel (chanceler alemã).

O jornal The Washington Post segue a mesma linha, ao afirmar que a eleição de Dilma "demonstrou a lealdade dos eleitores ao homem que a escolheu a dedo para o trabalho".

"Analistas políticos consideram o resultado no Brasil, a oitava maior economia do mundo, uma forte demonstração de apoio à mistura de programas sociais generosos e prudente manejo da economia que caracterizou os oito anos do governo Lula", diz o diário.

Serra

O The Wall Street Journal diz que a vitória de Dilma foi "selada pela prosperidade econômica e pela ampla popularidade de seu antecessor e mentor".

O jornal diz que Dilma venceu prometendo continuidade e que o resultado "eleva uma burocrata relativamente desconhecida ao comando do maior país da América Latina, no momento em que assume um maior papel na economia global".

O WSJ diz ainda que o resultado deve encerrar as ambições presidenciais de Serra e deixa seu partido (PSDB) "à deriva" no cenário nacional, em meio a uma "mudança geracional" em suas lideranças.

Na Europa, o diário britânico The Guardian diz que apesar do clima de alegria entre os líderes do PT com a vitória, a eleição inspirou poucos eleitores de ambos os lados.

O jornal diz ainda que apesar do bom momento da economia, o Brasil precisa de investimentos em infraestrutura e educação para sustentar o crescimento.

'Elemento decisivo'

O espanhol El País afirma que Lula foi um "elemento decisivo" na vitória de Dilma. O jornal diz que a Classe C nascida no governo de Lula tem a chave das eleições.

"E para esses milhões de cidadãos que esperam, cheios de otimismo, continuar melhorando seu nível de vida, a continuidade pode ter sido o elemento decisivo na hora de depositar o voto", diz o texto.

O diário espanhol diz, no entanto, que Dilma precisará consolidar sua força e seu poder, com um governo próprio e com sua própria forma de trabalhar, e que a "grande dúvida" é sobre sua relação com os caciques do PT, que poderão reclamar maior protagonismo.

O italiano Corriere della Sera afirma que Dilma herda "um país que vive um de seus melhores momentos na economia, com industrialização em crescimento e desemprego em um nível mínimo".

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