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Prefeito de Londres quer testes diários de bafômetro para infratores alcoolizados

homem tetando bafômetro

Se a pessoa falha no teste, fica presa por 24 horas

O prefeito de Londres, Boris Johnson, quer adotar na cidade um esquema que obrigaria pessoas que cometeram crimes quando alcoolizadas a ficar sóbrias por certos períodos de tempo.

A ideia é que esses cidadãos, condenados por crimes associados ao consumo de álcool, sejam obrigados a fazer o teste do bafômetro duas vezes por dia. Se falharem, terão de passar 24 horas na cadeia.

O esquema é baseado em um programa adotado pelo Estado de Dakota do Sul, nos Estados Unidos. Inicialmente, o programa americano era direcionado apenas a motoristas que dirigiam bêbados, mas depois foi estendido a crimes envolvendo violência doméstica e outras infrações.

Segundo a assessora de imprensa da prefeitura, Elizabeth Lee, Johnson está pedindo permissão ao governo britânico para adotar o programa em esquema piloto.

Ela explicou que há dúvidas sobre a legalidade do esquema. Mas acrescentou que se não houver impedimento legal, o piloto pode ser implantado em 2011.

Críticos da iniciativa dizem que um sistema como esse não funciona a longo prazo, porque, uma vez encerrado o período de testes compulsórios, a pessoa tende a voltar a beber.

Esses grupos defendem o uso da psicoterapia para tentar mudar o comportamento de pessoas que constantemente se envolvem em episódios de vandalismo ou outros crimes crimes quando abusam do álcool.

Problema Londrino

Falando à BBC, o vice-prefeito de Londres para assuntos ligados a policiamento, Kit Malthouse, disse que crimes associados ao consumo de álcool são "um problema de grandes proporções em Londres e custam uma fortuna ao contribuinte".

Ele explicou que pretende introduzir o esquema "como uma alternativa para a prisão ou em conjunção com a prisão".

O período de testes, que teriam de ser feitos cedo pela manhã e à noite, seria decidido pelo juiz, podendo durar até dois anos, dependendo do caso.

A assessora de imprensa da prefeitura, Elizabeth Lee, citou como exemplo hipotético o caso de uma pessoa que comete um roubo enquanto embriagada.

"Digamos que a sentença normal para esse tipo de crime fosse 18 meses. Nesse esquema, a pessoa cumpriria uma pena menor e, após sair da cadeia, teria de fazer os testes diariamente por um certo período".

Segundo a assessora, ainda não foi decidido que tipo de crime seria incluído no programa. Crimes mais graves, envolvendo morte, por exemplo, não se qualificariam.

Números

Segundo dados do Ministério da Saúde da Grã-Bretanha divulgados no ano passado, o consumo exagerado de álcool custa à nação entre 18 e 26 bilhões de libras por ano (entre RS$ 48 bilhões e RS$ 70 bilhões).

O custo para o National Health System (NHS), o sistema nacional de saúde britânico, é de 2.7 bilhões de libras anuais (RS$ 7.2 bilhões).

Segundo pesquisas, o problema está concentrado em um grupo relativamente pequeno de pessoas.

Dez milhões de adultos britânicos bebem mais do que a dose mínima recomendada, ingerindo cerca de três quartos de todo o álcool consumido no país.

Destes, 2,5 milhões consomem pelo menos duas vezes a dose mínima recomendada.

O vice-prefeito de Londres diz que uma das vantagens do esquema é que ele não custará nada ao contribuinte, já que quem paga pelos testes é o próprio indivíduo.

Malthouse disse que os números do esquema original, em South Dakota, são encorajadores.

De acordo com ele, em torno de 16 mil pessoas teriam passado pelo programa nos EUA. Destas, 99,6% teriam respeitado a ordem de não beber.

Isso teria levado a uma redução de 14% no número de presidiários no Estado.

Malthouse acredita que a medida vai funcionar em Londres "por ser não apenas punitiva, como também corretiva".

Dúvidas

Falando à BBC, o diretor da entidade beneficente britânica Alcohol Concern, Don Shenker, disse ter dúvidas sobre o sucesso do esquema a longo prazo.

Ele disse não estar convencido de que as pessoas mudarão seu comportamento uma vez completado o período de testes diários obrigatórios e acha a psicoterapia muito mais efetiva.

Shenker mencionou como exemplo um programa desenvolvido pela cidade inglesa de Gloucester, onde alcoólatras fazem duas sessões de terapia com um profissional especializado em dependência por álcool.

Segundo ele, 1.600 pessoas passam pelo programa todos os anos. Destas, 75% não voltam a cometer crimes associados ao consumo de álcool.

"Se você pergunta a uma pessoa por que ela bebe e mostra a ela a relação entre o comportamento criminoso e o consumo de álcool, ela deixa de cometer crimes", disse Shanker.

Respondendo às críticas, o vice-prefeito londrino disse, no entanto, que a proposta de obrigar a pessoa que comete crimes quando alcoolizada a ficar sóbria não exclui outras abordagens.

"O esquema vai ser parte do arsenal londrino" de combate ao crime associado ao álcool - disse Malthouse.

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