Eleições 2010

Dilma e Serra rebatem denúncias em debate e criticam governos rivais

Dilma Rousseff e Jose Serra

Dilma e Serra ignoraram temas que tiveram destaque na campanha, como religião e meio ambiente

Os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) se defenderam de acusações envolvendo ex-assessores, trocaram críticas sobre suas atuações quando estiveram no governo e evitaram temas como aborto e religiosidade em novo debate realizado na noite de domingo.

O encontro, organizado pela RedeTV! e pelo jornal Folha de S. Paulo, também foi marcado pela ausência de temas ligados ao meio ambiente, que ganharam destaque após a expressiva votação (quase 20% dos votos válidos) que a candidata do Partido Verde, Marina Silva, teve no primeiro turno.

Durante o debate, Dilma admitiu que a ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra "errou". Braço direito da petista quando ela comandava a pasta, Erenice deixou o cargo após relatos de um suposto esquema de tráfico de influência envolvendo seus filhos.

"Quero deixar claro que vejo a situação da Erenice com muita indignação. Não concordo com a contratação de parentes e de amigos. Tenho um compromisso em combater o nepotismo e o tráfico de influência", disse Dilma.

A petista afirmou que o caso está sendo investigado pela Polícia Federal e essa é, segundo a candidata, a diferença entre seu partido e o de seu oponente. "Nós apuramos tudo aquilo que acontece", disse Dilma, acusando o PSDB de não investigar os relatos envolvendo supostas doações ilegais de campanha que teriam sido recebidas pelo ex-diretor de Engenharia da Dersa, Paulo Vieira Souza, conhecido como Paulo Preto.

Serra disse que o PT vem tratando do assunto como uma estratégia para desviar a atenção dos eleitores. O candidato também justificou a postura que adotou ao ser questionado sobre o caso - primeiro, teria dito no início da semana que não conhecia Souza, mas depois reconheceu que sabia quem ele era.

Segundo Serra, o equívoco ocorreu por conta do apelido de Souza: "Eu não o conhecia assim. Esse é um apelido racista. Como ele é descendente de africanos, deram esse apelido."

Governo paulista

Em vários momentos do debate, os candidatos entraram em choque por causa da maneira como seus partidos lidam com o Estado de São Paulo. Para Serra, sua oponente repetiu "uma estratégia muito usada do PT, que é a de atacar em vão" o governo paulista.

"A impressão é que Dilma é candidata ao governo de São Paulo", afirmou Serra, acrescentando que o problema é que a petista não conhecia bem a situação do Estado. "Mas essa eleição (ao governo) acabou. Essa estratégia de falar mal de São Paulo foi reprovada, e o PT perdeu."

Em resposta, a petista disse que seu rival estava distorcendo seu discurso: "O senhor está fazendo confusão. Não confunda o povo paulista com as falhas de seu governo."

Os dois candidatos também trocaram farpas sobre os resultados dos oito anos do governo Lula e da administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

"Eu tenho o apoio de dois ex-presidentes", disse Serra, citando o senador eleito por Minas Gerais Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. "Ela tem o apoio do (Fernando) Collor e do (José) Sarney."

"Eu tenho a honra de ser apoiada e de estar no mesmo projeto que o maior presidente da República que este país já teve, que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva", rebateu Dilma.

A candidata petista atacou as privatizações realizadas durante o governo tucano, principalmente no setor energético. "O que iniciou o processo do apagão foi a desestatização da Eletrobrás", afirmou Dilma. "Eu pergunto ao candidato se ele vai voltar a colocar essas empresas em outro processo de privatização."

Em resposta, Serra disse que o PT usa a questão da privatização "por motivos puramente eleitorais". Segundo ele, "não há hoje na agenda do Brasil empresas a serem privatizadas, somente empresas a serem estatizadas."

O tucano citou como exemplo a Petrobrás que, segundo ele, vem sendo "loteada por partidos políticos".

Educação

A troca de farpas entre os dois candidatos também permeou os trechos de suas falas em que citaram propostas de governo, especialmente no que diz respeito à educação.

Segundo Dilma, os tucanos "acumularam recordes negativos" durante os 16 anos que governaram o Estado de São Paulo. "Por que a educação no Estado mais rico do país tem números tão baixos?"

Serra afirmou que São Paulo foi o Estado que mais avançou no ranking do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), "enquanto na esfera federal ocorre o contrário".

Além disso, o tucano criticou a maneira como o governo vem aplicando o Exame Nacional do Ensino Médio. "O Enem morreu nas mãos do PT. Fizeram a garotada perder tempo", disse o tucano, citando vazamento de provas e de dados dos inscritos na avaliação.

Segundo Dilma, Serra não gosta do Enem porque ele é pré-condição para o ProUni (Programa Universidade para Todos, que dá bolsa em faculdades particulares para estudantes de baixa renda). "Ele quer acabar com o Enem para que a gente não chegue no ProUni."

"Eu não vou acabar com o Enem", respondeu o tucano, afirmando que o exame apenas precisa ser refeito, nos moldes das avaliações criadas por seu partido no Estado de São Paulo.

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