China

China chama vencedor do Nobel de 'criminoso' e critica Noruega

Para governo chinês, premiação viola ideais de Alfred Nobel. Foto: AP

Dissidente e ativista de direitos humanos Liu Xiaobo está preso

A China declarou que o ativista de direitos humanos e dissidente Liu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2010, é um "criminoso" e que as relações bilaterais com a Noruega, país que concede o prêmio, serão prejudicadas.

O prêmio foi anunciado nesta sexta-feira em Oslo, capital norueguesa. O presidente da Fundação Nobel, Thorbjoern Jagland, afirmou que Liu foi premiado por 20 anos de "luta longa e não-violenta" pela democracia no seu país.

"Liu é um criminoso que violou a lei chinesa", disse o porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Ma Zhaoxu. "O fato do comitê dar o prêmio para tal pessoa também rebaixa o prêmio em si".

"Nos últimos anos, a relação entre China e Noruega manteve franco desenvolvimento, o que contribui para os dois países e os dois povos", afirmou o porta-voz. "(O prêmio) vai contra o princípio do Nobel da Paz e trará danos para as relações bilaterais (entre China e Noruega)".

O representante do governo chinês disse ainda que o desejo de Alfred Nobel, inventor da dinamite e criador da premiação, era que o prêmio fosse entregue a "pessoas que promovem a harmonia nacional e a amizade internacional".

Carta 08


Liu, 54 anos, está preso atualmente. No ano passado, ele foi condenado a 11 anos de prisão e dois anos de perda de direitos políticos por "incitar a subversão" ao lançar a Carta 08, um manifesto que reivindicava a democracia multipartidária e respeito aos direitos humanas na China.

Em 1989, ele participou da revolta da Praça da Paz Celestial, em Pequim, na qual estudantes e trabalhadores chineses exigiram reformas democráticas no país.

Após o anúncio, a organização de Direitos Humanos Anistia Internacional - vencedora do Nobel de 1977 - afirmou que a premiação "coloca em evidência as violações de direitos na China" e pediu ao governo chinês que liberte todos os prisioneiros políticos detidos no país.

Liu vinha sendo apontado como favorito ao prêmio, uma indicação contra a qual o governo chinês já havia se manifestado anteriormente.

Entre os defensores da indicação do dissidente para o prêmio, estavam o ex-presidente checo Vaclav Havel, que também ganhou o Nobel, e o líder espiritual tibetano Dalai Lama, considerado "subversivo" pelo governo chinês.

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