Brasil

PV decidirá apoio no dia 17, mas deixa brecha para minoria divergente

Convenção deve reunir lideranças políticas, religiosas e militantes do PV

Dirigentes nacionais do PV (Partido Verde) anunciaram nesta quinta-feira que uma convenção no dia 17 de outubro definirá a posição do partido em relação ao segundo turno das eleições presidenciais.

Em entrevista coletiva, líderes do PV afirmaram que os membros do partido que discordarem da decisão poderão manifestar publicamente sua posição individual sobre as candidaturas de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).

O presidente nacional do PV, José Luiz Penna, disse ainda que os acordos políticos feitos com PT e PSDB em diferentes Estados do Brasil não serão definidores do apoio a Serra ou Dilma.

"Todos estes acordos são pretéritos, ninguém tem autoridade sobre o futuro. Quem vai decidir a posição do partido agora é a convenção", declarou.

Segundo o vice-presidente da legenda, Alfredo Sirkys, a convenção para o segundo turno já estava definida antes mesmo da filiação de Marina Silva ao partido.

"Em 2009, definimos que teríamos uma convenção para o segundo turno e que os perdedores da convenção teriam o direito de explicitar sua posição individual, desde que deixem claro que é individual", afirmou.

Posição pessoal

Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta quarta-feira, a senadora Marina Silva - terceira candidata mais votada no primeiro turno das eleições presidenciais - sinalizou que o PV pode não apoiar de forma unânime nenhum dos dois candidatos à Presidência.

"Na realidade social e política, não se pode prever antecipadamente um resultado único. Não posso dizer que vai ser uma posição única. Vamos construir a posição do partido e a minha", afirmou.

"Em um partido como o PV, não tem como imaginar, até pela diversidade que temos, que você tenha um processo unânime e único."

Marina reforçou que a realização de uma convenção para discutir a posição do partido no caso de um segundo turno já estava prevista e que, caso a decisão não seja unânime, haverá "direito de manifestação" para a "minoria".

A senadora indicou ainda que também poderá tomar uma posição pessoal a respeito da disputa.

"O mais importante é discutir projetos, discutir ideias", afirmou. "Tudo isso vai estar presente até que cheguemos a uma posição do partido e, obviamente, eu terei uma posição."

Decisão

Segundo Alfedo Sirkys, os responsáveis pelo programa de governo de Marina Silva farão uma série de reuniões a partir da próxima quinta-feira para estabelecer um "programa mínimo". O programa será enviado aos dois candidatos e debatido com eles, em reuniões privadas.

A convenção será realizada em São Paulo e deve contar com a presença de deputados federais eleitos pelo PV e candidatos do partido aos governos estaduais e ao Senado.

Além deles, o grupo que criou o programa de governo da candidata, o Movimento Marina Silva e lideranças religiosas terão cinco representantes cada, com direito a voto.

No total, cerca de 80 pessoas votarão no apoio a Dilma, a Serra ou na independência em relação aos candidatos.

"Seja qual for a decisão tomada pelo partido, as posições individuais dos membros serão respeitadas. Temos diferenças e ninguém será punido por isso", declarou Sarkys.

João Paulo Capobianco, coordenador da campanha de Marina Silva, garantiu que a discussão com os dois candidatos à Presidência não vai se restringir às questões ambientais.

"A campanha falou de educação, de combate à corrupção, de economia. Não vamos debater só sobre unidades de preservação e proteção às florestas", disse.

"Os votos em Marina foram votos em uma proposta", acrescentou Capobianco. "Queremos definir o que fazer para que os candidatos ao segundo turno se pronunciem claramente sobre isso."

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