Eleições 2010

Dilma defende legado de Lula e não cita caso Erenice em comício final

Comício do PT em São Paulo

Durante o comício, Netinho, Marta, Dilma e Lula pediram que os militantes consigam mais votos para o PT

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, realizou nesta segunda feira seu último comício de campanha com um discurso de defesa do legado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e promessas de erradicar miséria no país e melhorar a vida da classe média.

Realizado no Sambódromo de São Paulo, o evento teve a participação de Lula e de diversos candidatos petistas. Nenhum deles, porém, fez menção direta aos casos envolvendo a violação de sigilo da Receita Federal e a queda da ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra.

“Vamos derrotar o preconceito e vencer o medo de novo”, disse Dilma logo no início de seu discurso, às 20h30, justamente quando a chuva leve começou a virar temporal e centenas de pessoas passaram a deixar o Sambódromo, usando faixas e cartazes para se proteger da chuva.

A candidata se referia ao fato de ela poder se tornar a primeira mulher a presidir o país, mas também à candidatura de Netinho, que é negro e concorre a uma vaga do Senado pelo PC do B.

“Vamos eleger a maior prefeita que essa cidade já teve e também esse meu mano”, disse Dilma apontando para Netinho.

A petista também disse ser responsável pela herança e pelo legado de Lula. “Nós tiramos 28 milhões de brasileiros da miséria. Isso equivale a dois Chiles”, disse a candidata, prometendo tirar o restante da população da pobreza e também “dar melhores condições de vida para a classe média”.

Dilma afirmou que todos tinham “um encontro com a democracia em seis dias” e pediu que eles mantivessem a serenidade, “porque ninguém pode tirar a gente do rumo”, e também determinação para sair às ruas buscar até o último voto.

Ela terminou seu discurso homenageando as mulheres do Brasil, inclusive a primeira-dama, dona Marisa, que ajeitava um boné vermelho do PT para tentar se proteger da chuva.

Futebol

O microfone passou então para o presidente Lula, que foi saudado aos gritos pela multidão antes mesmo de cumprimentar “minhas queridas companheiras.” As referências de Lula ao futebol e a diminuição da chuva voltaram a animar o público no Sambódromo.

“Estou com o coração magoado porque o Corinthians perdeu ontem em Porto Alegre. Mas a Dilma, que é Internacional, ficou feliz. E eu pedi pra ela não ficar tão feliz assim”, afirmou o presidente.

Ele seguiu falando de outros jogos da rodada e disse que o coração do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, precisava passar por uma experiência corintiana para sair do hospital. Ele está internado para a realização de uma cirurgia no miocárdio.

Lula dedicou boa parte de seu discurso à capitalização da Petrobras, dizendo que acompanhou a operação, na sexta-feira, da Bolsa de Valores de São Paulo. “Quando eu era sindicalista, o pessoal da Bolsa tinha medo de mim”, brincou.

“Nunca antes no planeta Terra se viu uma capitalização como essa”, afirmou o presidente, apostando que em pouco tempo a empresa será a maior petrolífera do mundo – hoje está em segundo lugar, atrás da Exxon.

Lula disse ter orgulho “de ter aprendido com o radicalismo dos anos 70, 80 e 90” e lembrou da trajetória de Dilma: “Aos 20 anos, ela foi lutar pela democracia. E a luta dos que morreram será consagrada no dia 3.”

Dança

Antes de Lula e Dilma, discursaram também Netinho, Marta e o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloízio Mercadante, que protagonizou um dos momentos mais divertidos do comício.

Ao som do jingle da campanha, ele começou a dançar com Dilma e foi acompanhado por Lula e Marta, além de Netinho e outra petista. Depois da dança, ele condenou o apoio que seus adversários têm na imprensa. Fora do palco, ao menos dois militantes carregavam cartazes acusavam veículos de comunicação de mentirem.

Mesmo sob chuva, muitos partidários mantiveram o bom humor, cantando os jingles dos candidatos – especialmente o de Netinho, que reproduz uma de suas músicas mais conhecidas, Cohab City.

Com a camiseta cheia de adesivos pró-PT, a estudante Juliana Moura, de 23 anos, agitava uma bandeira e cantava. “Vale até tomar chuva para ver a minha presidenta”, disse a jovem, explicando que milita desde que entrou para a União da Juventude Socialista, em 2002.

Franciso Pedrosa caminhava pela arquibancada acompanhado de duas filhas e uma sobrinha, com idades entre 5 e 8 anos. “Estou tentando deixar as meninas ligadas na política, como meu pai fez comigo desde pequeno”, afirmou o morador do bairro de Itaquera. “Faço 29 anos no dia 4 e vou comemorar junto com a vitória da Dilma”, disse o petista, garantindo que não há o menor risco de ter segundo turno.

Na quinta-feira, o PT fará um comício - sem a presença de Dilma - em São Bernardo do Campo e no sábado, segundo Lula, haverá "uma marcha silenciosa por todo o ABC".

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