Estados Unidos

Livro revela divergências entre Obama e assessores sobre Afeganistão

Segundo o livro, plano de Obama para o Afeganistão foi desacreditado. Foto: AP

Jornalista teve acesso a memorandos e relatos de reuniões de governo

Um livro com lançamento previsto para a próxima semana dá detalhes sobre as divergências entre o presidente americano, Barack Obama, e os principais responsáveis pelas políticas de defesa de seu governo em relação à guerra no Afeganistão.

Em Obama's Wars (ou "As Guerras de Obama", em tradução livre), o jornalista Bob Woodward afirma que o presidente, frustrado com as propostas de seus conselheiros para um aumento da presença militar no Afeganistão, traçou ele próprio um plano que previa uma atuação limitada no país, culminando com a retirada total das tropas.

O plano de Obama, no entanto, teria sido desacreditado por seus assessores. Entre os integrantes do governo que acharam o programa ineficaz estavam o consultor para assuntos do Afeganistão, tenente-general Douglas Lute, o enviado especial ao Afeganistão e ao Paquistão, Richard Holbrooke, e até o vice-presidente, Joseph Biden.

O presidente teve atritos em particular com o general David Petraeus, ex-comandante das tropas no Oriente Médio e atual chefe de operações no Afeganistão, e com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Mike Mullen.

‘Um trilhão de dólares’

Segundo o livro, que teve trechos revelados nesta quarta-feira pelos jornais americanos The New York Times e The Washington Post, Obama disse, em uma reunião com a secretária de Estado, Hillary Clinton, e com o secretário de Defesa, Robert Gates, que não pretendia ficar dez anos no Afeganistão, nem gastar "um trilhão de dólares" com a guerra.

Os fatos relatados por Woodward ocorreram em 2009, quando o governo americano revisou a estratégia para o Afeganistão. Em dezembro, Obama anunciou o envio de mais 30 mil soldados ao país, sob a justificativa de conter o Talebã e estabilizar o governo do presidente afegão, Hamid Karzai.

Obama's Wars também relata brigas entre os principais integrantes da equipe de defesa do governo. Segundo o livro, Biden chamou Holbrooke de "o filho da mãe mais egoísta que eu conheci".

Já David Petraeus disse que um dos principais conselheiros de Obama, David Axelrod, é "um completo manipulador". Por sua vez, o conselheiro de segurança nacional, James L. Jones, se referia aos demais assessores de Obama como "besouros", "Politburo" e "Máfia".

Para escrever o livro, Woodward teve acesso a diversos memorandos e registros de reuniões da administração Obama. Ele também realizou entrevistas com diversos integrantes de governo, além do próprio presidente.

Woodward é editor do The Washington Post. Em 1972, ao lado do repórter Carl Bernstein, ele investigou o caso Watergate - a invasão do comitê do Partido Democrata que desencadeou uma crise e levou à renúncia do presidente Richard Nixon em 1974.

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