Europa

Em livro, Kampusch diz que apanhava de captor 200 vezes por semana

Natascha Kampusch durante entrevista à TV austríaca no dia 4 de setembro

Livro de Natascha Kampusch deverá ser lançado nesta quarta-feira

A austríaca Natascha Kampusch, mantida em cativeiro por oito anos, diz que apanhava de seu captor até 200 vezes por semana, era algemada a ele ao dividirem uma cama e era obrigada a trabalhar seminua como uma escrava doméstica.

As revelações, feitas mais de quatro anos após ela ter escapado do cativeiro, em agosto de 2006, fazem parte de um livro de memórias de Kampusch, hoje com 22 anos.

O livro, 3096 Tage (3.096 Dias, em alemão), deverá ser lançado na quarta-feira. Trechos da autobiografia começaram a ser publicados nesta segunda-feira pelo diário britânico The Daily Mail.

Kampusch, que tinha apenas 10 anos quando foi sequestrada por Wolfgang Priklopil, conta ainda que foi levada a repetidas tentativas de suicídio ao ser mantida presa em uma cela de concreto “hermeticamente fechada” e ser obrigada a raspar seu cabelo.

A cela, no porão da casa, não tinha janelas e tinha apenas uma cama, uma pia e um vaso sanitário. Havia ainda um interfone, pelo qual o sequestrador se comunicava com Kampusch para lhe passar ordens.

'Meu Senhor'

Wolfgang Priklopil

Priklopil se suicidou logo após perceber que Kampusch havia fugido

Segundo Kampusch, Priklopil a forçava a chamá-lo de “Meu Senhor” ou de “Mestre” e afirmava que ela não era mais Natascha e que agora pertencia a ele.

“Eu agora me sinto suficientemente forte para contar a história de meu sequestro”, disse ela.

A austríaca também comenta, na trecho publicado de sua autobiografia, sobre o trauma da falta de contato humano no cativeiro.

“Eu ainda era apenas uma criança, e precisava do consolo do toque (humano). Então, após alguns meses presa, eu pedi a meu sequestrador que me abraçasse”, relata.

“Foi difícil. Eu entrei em um pânico claustrofóbico, porque ele me apertou muito forte. Depois de várias tentativas, conseguimos encontrar uma forma – não muito perto, não muito apertado, mas suficientemente apertado para que eu pudesse imaginar um toque de amor e carinho”, diz.

Ela também conta no livro que Priklopil a tirava da cela para dividir a cama com ela, mas que a mantinha presa com algemas plásticas.

“Quando ele me algemava a ele nessas várias noites, não era para sexo. O homem que havia me batido e me prendido no porão tinha algo diferente em mente: ele simplesmente queria algo para abraçar”, relata.

A história de Natascha Kampusch ganhou grande repercussão em todo o mundo quando ela conseguiu escapar do cativeiro no dia 23 de agosto de 2006, quando tinha 18 anos.

Priklopil, de 44 anos, cometeu suicídio logo depois de perceber que ela havia fugido.

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