América Latina

Acusação contra Chávez em Haia é 'salto no vazio', diz Venezuela

Nicolas Maduro

Ministro venezuelano usou tom conciliador para falar sobre Colômbia

O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, disse neste sábado à BBC Brasil que a acusação contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez, no Tribunal Penal Internacional é um "salto no vazio".

A poucas horas de deixar o cargo, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, teria dado entrada em um processo contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no Tribunal Penal Internacional por supostos "delitos de guerra e lesa humanidade" e em uma ação contra o Estado venezuelano perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

"Penso que isso já é um tema do passado, que expressa uma época que tem que ficar para trás. É um salto no vazio", afirmou Maduro à BBC Brasil sobre a acusação contra Chávez em haia.

Em tom conciliador, o chanceler venezuelano, que assistirá em Bogotá a posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, neste sábado, apesar da ruptura de relações com a Colômbia, disse que seu governo quer olhar para o futuro.

"Viemos aqui construir o futuro", afirmou.

Maduro disse que trouxe uma mensagem de Hugo Chávez, que envia "bons desejos (a Santos) para dar passos certeiros no processo de recuperação da confiança".

Ele ainda acrescentou: "Nosso destino é ser povos irmãos, povos unidos".

Lula

Uribe não é mais presidente. Eu, quando deixar a Presidência, posso fazer o que quiser, mas quem será presidente será outra pessoa.

Lula

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em declaração a jornalistas neste sábado, minimizou as acusações feitas pelo advogado de Uribe.

"Eu sinceramente não acho que uma atitude particular de um advogado possar incidir sobre a atitude de um Estado. P advogado fez isso porque quis fazer, agora o Estado colombiano não tem nenhum compromisso com a decisão do advogado", disse Lula.

O brasileiro fez questão de salientar que como Uribe está deixando o poder, a questão deixa de ser um problema do Estado colombiano.

"Uribe não é mais presidente. Eu, dia 1º de janeiro, quando deixar a Presidência, posso fazer o que quiser, mas quem será presidente do Brasil será outra pessoa", disse Lula.

A medida contra Chávez em Haia foi anunciada pelo advogado de Uribe, Jaime Granados, em entrevista ao canal colombiano RCN e vem à tona em um momento em que os países da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) enviam sinais de distensão na crise diplomática entre Caracas e Bogotá.

De acordo com a imprensa colombiana, a Venezuela é acusada na CIDH por supostamente "proteger terroristas" em seu território, em referência às alegações de que a Venezuela abriga ao menos 1,5 mil guerrilheiros no país. O governo venezuelano nega as acusações.

"Realmente, enviei (a denúncia) hoje à sede de Haia do Tribunal Penal Internacional, ao despacho do promotor-geral dessa instituição, Luis Moreno-Ocampo, e esperamos que tome ação", afirmou o advogado de Uribe.

O advogado disse ainda que as supostas provas contra a Venezuela seriam apresentadas "em seu momento".

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Uribe entregará a Presidência a Santos neste sábado, após oito anos de governo. Principal aliado dos Estados Unidos na região, o presidente colombiano foi responsável pelo enfraquecimento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e por resgates de reféns que estavam em poder da guerrilha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Bogotá para participar da posse de Santos.

Neste sábado, o brasileiro disse acreditar "cem por cento" na possibilidade de que os governos da Venezuela e Colômbia reatem relações diplomáticas depois da posse de Santos.

A disputa diplomática entre Colômbia e Venezuela teve início há uma semana, quando o governo de Bogotá apresentou ao Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA) supostas provas sobre a presença de guerrilheiros das Farc e do ELN na Venezuela.

Em seguida, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, qualificou de mentirosas as acusações e rompeu relações diplomáticas com a Colômbia.

Para Chávez, as acusações são parte de uma "desculpa" para justificar uma intervenção armada da Colômbia em seu país, que a seu ver, conta com o apoio dos Estados Unidos.

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