América Latina

Cuba descarta reformas de mercado em sua economia

Placa de barbearia em Havana (Reuters/Arquivo)

Governo cubano permitiu que barbeiros administrem negócios

O governo de Cuba descartou neste domingo a realização de reformas de mercado em sua economia, embora estude reduzir a participação do Estado em algumas áreas, segundo afirmou o ministro da Economia do país, Marino Murillo.

Segundo Murillo, que conversou com repórteres durante a realização da Assembleia Nacional de Cuba, neste domingo, o governo cubano pretende realizar uma “atualização” do modelo econômico com “muita calma”, embora o controle da economia do país deva permanecer centralizado.

“Não se pode falar em reformas. Estamos estudando uma atualização do modelo econômico. Está em estudo e com muita calma”, disse Murillo.

Segundo ele, o “planejamento centralizado” continuará predominante na economia e, embora exista a possibilidade de se liberalizar alguns setores, a maior parte das empresas permanecerá sendo estatal.

“Hoje o Estado tem (controla) um grupo de atividades que tem que descartar. O Estado não tem que se ocupar de tudo. O Estado tem que se ocupar da economia das coisas mais fortes”, disse.

As declarações foram feitas em um momento em que Cuba procura meios de sair de uma crise econômica que já se arrasta por anos.

Mesmo assim, Murillo descartou neste domingo seguir o caminho de outros regimes comunistas, como a China, que já aprovaram reformas de mercado sem, no entanto, renunciar ao controle político.

Modernização

O ministro da Economia, no entanto, afirmou que a experiência iniciada no último mês de abril, que permitiu que barbeiros e cabeleireiros aluguem espaços e paguem impostos, ao invés de receberem um salário mensal, pode ser expandida para outros setores.

Murillo, no entanto, não especificou quais as novas áreas que poderão ser atingidas pela medida.

A permissão para que barbeiros e cabeleireiros administrem seus próprios negócios é uma grande modificação em relação às regras impostas por Fidel Castro em 1968, que nacionalizaram todos os pequenos comércios de Cuba.

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Segundo Michael Voss, correspondente da BBC em Havana, Raúl Castro, irmão de Fidel que o substituiu como presidente de Cuba, está tentando modernizar a economia do país sem, no entanto, saltar ao capitalismo pleno.

Entre as primeiras reformas econômicas implantadas por Castro estão a permissão para que alguns taxistas trabalhem por conta própria, além da concessão de terras estatais improdutivas a camponeses.

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