
Presidente se disse 'feliz' com libertação de prisioneiros por Cuba
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que uma de suas responsabilidades nos próximos meses é convencer o presidente da França, Nicolas Sarkozy, sobre os benefícios de um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que vem sendo discutido há mais de dez anos.
Como o companheiro que tem dado mais trabalho é um grande amigo meu, que é o presidente Sarkozy, eu tenho a responsabilidade de tentar convencê-lo a flexibilizar o coração dos franceses e a gente fazer um acordo antes de eu terminar a Presidência, disse Lula, durante a Cúpula Brasil-União Europeia, em Brasília.
As conversas sobre o acordo de livre comércio entre os dois blocos voltaram a esbarrar na resistência dos agricultores europeus, sobretudo os da França, que recebem subsídios e temem perder mercado para os produtos brasileiros.
Lula disse que vai aproveitar o fato de estar à frente da Presidência temporária do Mercosul, no próximo semestre, para convencer a União Europeia de que o produto brasileiro é barato e de boa qualidade.
Sempre haverá setores descontentes. Mas isso não é um jogo de corporações, é um jogo de nações, que precisa beneficiar a sociedade como um todo, disse Lula.
Vantagens mútuas
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse que a União Europeia tem todo interesse nesse acordo, mas é preciso que os dois lados vejam vantagens.
Somos 27 países e temos que recolher o apoio em muitas frentes. Por isso, esperamos que o Mercosul avance com uma oferta que também corresponda às nossas ambições, disse Barroso.
Um dos principais objetivos dos europeus nas negociações tem sido a busca por maior liberalização do Mercosul no setor industrial - o que encontra resistências sobretudo na Argentina.
Segundo Durão Barroso, não há dúvidas sobre o potencial econômico do Mercosul, região onde o estoque de investimentos europeus é maior do que o registrado em China, Índia e Rússia juntos.
Cuba
Também durante a cúpula, o presidente Lula disse que ficou feliz com a libertação de presos políticos em Cuba, mas, após ser questionado, preferiu não comentar o fato de o Brasil não ter participado diretamente das negociações com o governo cubano.
Fiquei tão feliz quando os cubanos foram libertados como eu fiquei quando fui solto da cadeia, em maio de 1980, disse o presidente.
Um grupo de nove dissidentes cubanos e suas famílias chegou à Espanha entre terça e quarta-feira. Outras dezenas de presos aguardam libertação.
Parabéns à Igreja Católica, ao governo da Espanha e a todos que atuam para liberar algum preso no mundo, acrescentou o presidente.
Lula lembrou que o Brasil ajudou a intermediar a libertação de uma cidadã francesa que estava presa no Irã, e que também pediu ao governo do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad que considerasse a libertação de três americanos.
É importante lembrar que, nessas coisas, se a gente tentar fazer pirotecnia, a gente não liberta (prisioneiros) e a gente agrava a situação de cada uma das pessoas, disse o presidente brasileiro.
Durão Barroso disse que a União Europeia se congratula com o anúncio da libertação, mas que uma relação construtiva com Cuba depende do respeito aos direitos humanos.
Não tem sentido manter prisioneiros políticos. Temos sempre dito que isso é uma condição importante para nossas relações com Cuba, disse Barroso.
