Copa do Mundo

Após sucesso da África do Sul, Brasil fica sob pressão para sediar boa Copa

Soccer City

Estádios novos como o Soccer City ofereceram conforto aos torcedores.

A primeira Copa do Mundo na África do Sul passou muito longe do fracasso que todos esperavam. Se antes da Copa, muitos falavam na necessidade de se ter um “Plano B”, caso os sul-africanos não conseguissem terminar todas as obras a tempo, agora o sentimento é totalmente oposto.

O torneio foi considerado tão bem-sucedido que a África do Sul já quer sediar as Olimpíadas. Danny Jordaan, responsável pela organização do evento, passou de “saco de pancadas” a herói da Copa sul-africana.

A Copa não foi só de maravilhas. Houve também problemas com transporte e ingressos, por exemplo.

No entanto, a percepção geral de torcedores, atletas e jornalistas é de que a África do Sul cumpriu com sucesso a tarefa.

Esse sucesso na África deixa o Brasil com mais responsabilidades ainda de sediar um bom Mundial daqui a quatro anos.

Confira abaixo um balanço dos sucessos e fracassos da Copa, e o que o Brasil deve esperar em cada quesito.

Os sucessos:

ESTÁDIOS

Os estádios da África do Sul não devem em nada aos melhores da Europa. Só o tempo dirá se eles virarão ou não “elefantes brancos”, mas para o Mundial, eles serviram perfeitamente. Os mais modernos, como o Moses Mahbida, de Durban, e o Soccer City, de Johanesburgo, impressionaram os torcedores. Alguns mais antigos deixaram um pouco a desejar, como o Ellis Park, de Johanesburgo, cuja importância histórica e simbólica era talvez a única justificativa para se sediar jogos ali.

No Brasil em 2014: o Brasil terá mais “Ellis Parks” do que “Soccer Citys”. A princípio, oito estádios serão renovados e quatro novos construídos. Dificilmente estádios antigos – como o Maracanã e o Beira-Rio – chegarão ao nível dos que se viu na África do Sul. Por isso, a pressa na tomada de decisões, como no caso do Morumbi, é essencial para o Brasil ter condições de sediar uma boa Copa em 2014.

TRANSPORTE AÉREO

A África do Sul quase passou com louvor neste quesito. Os aeroportos eram muito confortáveis e todo o investimento feito foi recompensado. O procedimento de imigração era muito ágil, e os torcedores passaram muito pouco tempo nos aeroportos.

Um incidente em Durban, no entanto, manchou a boa reputação do sistema aéreo sul-africano. Centenas de torcedores que queriam assistir à semifinal entre Alemanha e Espanha perderam a partida por atrasos provocados – não pela falta de estrutura – mas pelo excesso de jatos privados de celebridades em Durban.

NO Brasil em 2014: brasileiros que foram à África do Sul ficaram encantados com os aeroportos. O sistema aéreo brasileiro é o calcanhar de Aquiles para a Copa de 2014. Como na questão dos estádios, é difícil ver os atuais aeroportos brasileiros atingindo o mesmo nível de conforto apenas através de reformas, sem a construção de novos terminais.

SEGURANÇA


Cidades da África do Sul lideram em várias estatisticas de violência, como homicídios e roubos de carro. O crime organizado também é muito forte no país. No entanto, a Copa transcorreu sem grandes problemas. Não houve nenhum incidente de grande destaque. Ainda assim, a segurança não foi perfeita. Torcedores não podiam transitar sem preocupações pelas ruas e à noite as cidades ficavam desertas.

No Brasil em 2014: Os problemas de segurança do Brasil e da África do Sul são bastante parecidos. No entanto, as autoridades têm ignorado o problema até agora, concentrando-se por ora em decisões que necessitam de maior prazo para serem realizadas, como obras de infra-estrutura.

HOTÉIS E TURISMO

As grandes cidades sul-africanas tinham várias pousadas, com clima aconchegante e mais familiar e caseiro. Com as deficiências de mobilidade urbana, pousadas e hotéis acabaram servindo de ponto de encontro e festa durante os jogos. A África do Sul também é um país com várias atrações turísticas, essenciais para distrair os torcedores entre as partidas.

No Brasil em 2014: as maiores cidades brasileiras já preenchem o número de leitos necessários para sediar a Copa do Mundo, com hotéis confortáveis. Boa parte das cidades também tem muitas atrações turísticas, bons pontos comerciais e animada vida noturna.

Os fracassos:

TRANSPORTE URBANO

Os congestionamentos foram grandes nos dias de jogos. Torcedores perderam mais de três horas entre os deslocamentos. Em Johanesburgo, o problema ainda era mais grave, devido às enormes distâncias entre os bairros e os estádios. O transporte público não era confortável o suficiente, e a África do Sul não tem tantos taxis, que se aproveitaram da altíssima demanda e pouca oferta para cobrar preços caríssimos.

No Brasil em 2014: Taxis no Brasil são mais confortáveis, modernos e relativamente baratos do que na África do Sul. As distâncias também podem ser menores entre hotéis e estádios, como no caso de cidades como Rio de Janeiro e Porto Alegre. No entanto, o Brasil tem a mesma deficiência de transporte público dos sul-africanos. Algumas cidades também não têm avenidas grandes o suficiente para absorver todo o movimento adicional de pessoas.

INGRESSOS

Ingressos foi um paradoxo na África do Sul. A demanda por ingressos era enorme, e os preços eram caros – na mão de cambistas um ingresso para a final chegou a R$ 2,5 mil. No entanto, muitos estádios estavam com lugares vazios. Com isso, apenas sul-africanos ricos tiveram condições de ver os jogos. Também houve desorganização antes da Copa. A venda de bilhetes pela internet fracassou, e houve brigas e confusões em longas filas nas bilheterias.

No Brasil em 2014: os torcedores brasileiros que estão acostumados a ir ao estádio pagando um preço relativamente barato para ver seus times jogarem levarão um choque na Copa do Mundo. Os preços de ingressos para os piores lugares no estádio não saem menos de R$ 200 – e ainda esses costumam se esgotar rapidamente. Como na África do Sul, apenas os brasileiros com condições de pagar preços europeus por ingressos terão condições de assistir à Copa.

CLIMA

O inverno rigoroso, sobretudo no começo da Copa, prejudicou muito o humor dos torcedores. Em alguns jogos, até mesmo os atletas no banco de reservas precisaram de cobertores para se proteger. As fan fests – sucesso de público na Alemanha – foram um fracasso na África do Sul. A decisão de se jogar partidas às 20h30 também contribuiu para o desânimo visto após as partidas.

No Brasil em 2014: algumas cidades do Sul do Brasil, como Curitiba e Porto Alegre, podem ter um inverno mais rigoroso, mas no restante do país, o clima deve ser ameno ou até mesmo quente. Também a boa atmosfera de várias cidades litorâneas já são um grande atrativo para torcedores internacionais.

Copa do Mundo 2010

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