América Latina

Cuba começa a libertar dissidentes em acordo raro

Guillermo Fariñas (arquivo)

Casos como o de Fariñas tiveram grande repercussão internacional

O governo de Cuba começou a libertar um grupo de dissidentes, de acordo com parentes dos prisioneiros. A medida é parte do acordo anunciado na quarta-feira que prevê a libertação de 52 pessoas.

Os primeiros três libertados teriam sido levados a locais mantidos em sigilo e fariam parte de um grupo de 17 dissidentes dispostos a se exilar na Espanha.

O acordo de libertação de prisioneiros é um fato raro no país e pode se transformar no maior da última década na ilha, o que possivelmente marcaria uma virada nas relações internacionais cubanas.

O governo não informou quantas pessoas foram postas em liberdade no sábado.

'Despedidas'

Um dos dissidentes, José Luís García Paneque, ligou para a família para dizer que seria transferido da prisão da província de Las Tunas para Havana, de acordo com informações do primo Raul Smith divulgadas pela agência de notícias AFP.

As esposas dos dissidentes Pablo Pacheco e Luís Milán receberam ligações de outros presos afirmando que seus maridos teriam sido libertados.

Irene Viera, esposa de Julio Cesar Galvez, disse que ela e o filho, que mora em Havana, foram convocados para exames médicos antes de partir para o México.

"Já estou me despedindo dos amigos", disse Viera à agência de notícias Reuters.

Ainda não se sabe quantas pessoas do grupo buscarão asilo na Espanha.

A Igreja Católica de Cuba, que mediou o acordo de libertação, disse que pelo menos 17 pessoas teriam aceitado ir para o país ibérico.

Greves de fome

Segundo a AFP, uma autoridade católica disse que dez dissidentes seriam libertados e viajariam para a Espanha "em breve", como parte do trato.

Todos os 52 presos faziam parte do grupo de 75 dissidentes preso em 2003 e condenado a sentenças de entre seis e 28 anos de detenção.

Outro dissidente, Guillermo Farinas, encerrou uma greve de fome na sexta-feira, após o anúncio do acordo.

O trato inédito aconteceu após negociações entre o presidente Raul Castro e o cardeal Jaime Ortega.

Farinas, que recusou comida por mais de 130 dias, já estaria perto da morte. Ele começou a greve de fome depois que um colega, Orlando Zapata Tamayo, morreu de inanição, em consequência de uma greve de fome de 85 dias.

'Gesto bem-vindo'

Depois do anúncio do governo cubano na quarta-feira, o ministro do Exterior da Espanha fez um apelo à União Europeia por uma posição menos rígida sobre Cuba.

Em 1996, o bloco europeu decidiu que a situação dos direitos humanos e da democracia em Cuba precisa melhorar, antes de qualquer normalização nas relações.

Miguel Angel Moratinos, que esteve em Cuba para negociar, afirmou que o governo espanhol está disposto a dar asilo aos prisioneiros libertados.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, por sua vez, afirmou que o gesto cubano, que classificou de "algo que chegou atrasado, mas mesmo assim muito bem-vindo", foi animador.

Analistas dizem que a medida pode marcar uma mudança nas relações entre Cuba, Estados Unidos e Europa.

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