Meio Ambiente

Sindicância isenta cientistas britânicos de manipulação de dados

Os cientistas foram acusados de não divulgar dados de temperaturas

Cientistas britânicos acusados de manipular dados para exagerar a influência humana no aquecimento global foram inocentados da acusação de falta de honestidade em sindicância concluída nesta quarta-feira pela Universidade britânica de East Anglia mas foram criticados por falta de transparência na divulgação de informações.

O caso começou, no ano passado, com o vazamento de e-mails de Phil Jones, então diretor da Unidade de Pesquisas Climáticas (CRU, na sigla em inglês) da universidade. Na correspondência eletrônica, o cientista parecia sugerir que alguns dados de pesquisas sobre o aquecimento global fossem excluídos de apresentações que seriam realizadas na conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Copenhague.

O episódio deu munição ao time dos céticos em relação ao papel humano nas alterações do clima. Eles passaram a acusar os cientistas da CRU de esconder dados e falsificar provas sobre o aquecimento do planeta -- acusações agora em grande parte refutadas pela sindicância promovida pela universidade.

A investigação conclui que "não há dúvidas sobre o rigor e a honestidade" dos cientistas da Unidade de Pesquisas Climáticas. Mas o relatório final aponta "consistente falta do grau apropriado de transparência" na divulgação de pesquisas.

Processo

Durante o processo, o responsável pelas investigações, Muir Russel, analisou argumentos de cientistas da universidade e de seus críticos.

O vice-reitor da universidade, Edward Acton, disse que o resultado da sindicância "vai pôr fim às teorias de conspiração, inverdades e mal entendidos" causados pelo vazamentos dos e-mails.

Ele também afirmou que a universidade aceitava as críticas referentes à falta de transparência por parte dos pesquisadores.

Críticos acusam os cientistas da CRU de não divulgar dados de temperaturas apurados por estações meteorológicas. Também alegam que os pesquisadores mantinham em segredo as fórmulas utilizadas por computadores para realização dos cálculos que apontavam o aumento da temperatura global.

A sindicância, porém, rechaçou as alegações com o argumento de que os dados eram de domínio público.

“Nós demonstramos que qualquer pesquisador independente pode acessar os dados das fontes primárias e fazer sua própria análise de tendências das temperaturas”, diz o relatório.

Russel também alega que, em menos de dois dias, foi possível desenvolver o programa para processamento dos dados utilizado pelos cientistas da universidade.

“Concluimos, então, que o argumento de que a CRU tem algo a esconder não se sustenta”, afirma.

Outras duas sindicâncias – uma delas formada por parlamentares britânicos – investigaram o caso, com conclusões semelhantes

Nem todos, porém, se convenceram. A Global Warming Policy Foundation, influente centro de estudos que vê o aquecimento global com ceticismo, promete fazer sua própria investigação para apurar os resultados das sindicâncias anteriores.

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