
Muitos dizem que China mantém yuan baixo para ajudar exportadores.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou o anúncio da China de que vai flexibilizar mais a taxa de câmbio de sua moeda, o yuan.
Por meio de um comunicado, Obama afirmou que a decisão da China é um passo construtivo que pode ajudar a assegurar a recuperação e contribuir para uma economia global mais equilibrada.
Há muito tempo, políticos americanos vinham argumentando que o valor do yuan estava depreciado, o que daria vantagens indevidas aos chineses no comércio com outros países.
A questão deve ser discutida durante um encontro do G20 - grupo dos 20 países mais ricos do mundo - na próxima semana, no Canadá.
Neste sábado, o Banco Central da China anunciou que dará maior flexibilidade à taxa de câmbio do yuan, explicando que a reforma foi possibilitada pela recuperação da economia global.
Apesar de afirmar que tornará o mecanismo de taxa de câmbio do yuan mais flexível, o governo chinês não deu mais detalhes sobre a extensão da medida nem indicou quando isso ocorrerá.
A moeda chinesa estava atrelada ao dólar desde julho de 2008, gerando críticas de que a China estava mantendo o câmbio em um nível artificialmente baixo para ajudar os exportadores do país.
Ao comentar sobre o anúncio da China, Obama disse que espera "discutir estas e outras questões na reunião do G20 em Toronto no próximo fim-de-semana".
O Secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, recebeu bem a medida, porém foi cauteloso.
"Este é um passo importante, mas o teste é quão longe e quão rápido eles vão deixar a moeda valorizar", afirmou.
Sob pressão
Em abril, a divulgação de um relatório que poderia classificar a China como manipuladora de moeda foi adiada por Geithner, o que foi considerado uma tentativa para Pequim reformar sua moeda sem parecer que estaria o fazendo sob pressão.
Vários integrantes do Congresso americano acreditam que o yuan baixo está afetando diretamente suas economias locais.
Em resposta ao anúncio chinês, o senador democrata Charles Schumer disse que o comunicado da China é muito vago.
"Enquanto não houver informaçãoes mais específicas sobre quão rápido ela vai deixar sua moeda apreciar e em quanto, nós não podemos ter nenhuma impressão boa de que os chineses vão começar a jogar conforme as regras", disse o senador.
O correspondente da BBC em Pequim, Damian Grammaticas, disse que o anúncio pode ser visto como uma tentativa de se antecipar às críticas à política de câmbio chinesa na reunião do G20 no Canadá, onde Obama vai se encontrar com o presidente chinês Hu Jintao.
A China conseguiu evitar a valorização de sua moeda vendendo yuans por dólares, o que fez com que ela conseguisse acumular grandes reservas em moeda estrangeira.
A forma com que a China investiu estas reservas é vista por muitos economistas como um dos principais fatores da recente crise financeira internacional.

