
Críticos afirma que Belo Monte vai trazer danos ambientais e sociais
A polêmica Usina Hidrelétrica de Belo Monte, cujo leilão para decidir qual consórcio a construirá foi realizado na última terça-feira, em Brasília, é tema de um artigo na edição desta semana da revista britânica The Economist.
No artigo, a publicação cita os protestos e a batalha judicial que envolveram o leilão e diz que o projeto, ao ter sido redesenhado para alagar uma área menor de floresta, ilustra um dos grandes desafios do Brasil moderno, o de preservar a natureza ao mesmo tempo em que a explora.
Ironicamente, Belo Monte é um projeto marcado pelas lições do passado, desenhado e redesenhado para retirar energia das florestas sem destruí-las, diz a revista.
Este desafio – de desenvolver as florestas e ao mesmo tempo mantê-las – é, de muitas formas, o enigma do Brasil moderno, ao qual o resto do mundo em desenvolvimento está assistindo de perto para ver se ele pode ser solucionado.
Elefante branco
A revista enumera as diversas críticas de ambientalistas e movimentos sociais à instalação de Belo Monte na bacia do Rio Xingu, entre elas a de que a usina deve inundar grandes áreas da floresta tropical ao mesmo tempo em que deve trazer seca para outras partes.
Além disso, citando o fato de as mudanças na vazão do Rio Xingu não permitirem que a usina trabalhe com sua capacidade máxima em todos os meses do ano, a Economist afirma que não é surpreendente que muitos brasileiros a considerem um elefante branco.
Mesmo assim, segundo a publicação, o Brasil precisa de investimentos em energia, principalmente com uma economia preparada para crescer até 7% neste ano e com dezenas de milhares de brasileiros consumindo mais.
Os manifestantes querem usinas solares e eólicas. Mas, sem Belo Monte, o Brasil provavelmente teria que construir usinas nucleares ou investir em termelétricas a carvão. Os protestos então seriam muito maiores.
