
Doze passaportes falsos britânicos foram usados no assassinato de al-Mabhouh
A Grã-Bretanha expulsou do país um diplomata israelense devido à falsificação de passaportes britânicos no incidente que resultou no assassinato de um comandante do Hamas em um hotel em Dubai.
O ministro de Relações Exteriores, David Miliband, fez um pronunciamento no Parlamento na terça-feira, dizendo que havia "razões contundentes" para responsabilizar Israel pelas falsificações e que a utilização dos documentos britânicos falsos era "intolerável".
Israel afirma que não há provas de que agentes do Mossad, o serviço secreto israelense, estejam por trás do assassinato.
Doze passaportes falsos da Grã-Bretanha foram usados pelos assassinos de al-Mabhouh, um dos fundadores do braço armado do Hamas.
No mês passado, o ministro britânico havia dito que o uso dos passaportes falsos era "revoltante" e prometeu desvendar todo o caso através de uma investigação.
Na época, o embaixador israelense em Londres, Ron Prosor, foi convidado para uma reunião no Ministério das Relações Exteriores.
"Em fevereiro, era uma questão de a Grã-Bretanha fazer perguntas, e não de fazer protestos ou tomar ações retaliatórias (tais como exigir um pedido de desculpas, restringir contatos oficiais ou até mesmo expulsar o embaixador por um tempo)", comentou o analista da BBC para assuntos internacionais Paul Reynolds.
Mas o tom desse diálogo entre britânicos e israelenses pode estar prestes a mudar.
'Mensagem poderosa'
Segundo a reportagem da BBC, o governo britânico não considera a possibilidade de expulsar o embaixador Prosor, mas sim algum outro diplomata israelense.
Além disso, as fontes ouvidas pela reportagem teriam garantido que o governo não chegou ao ponto de acusar Israel do assassinato, deixando pouco claro, portanto, qual seria a motivação dessa expulsão.

Ao menos onze pessoas teriam participado do assassinato do líder do Hamas
O fato é que esse ato seria "uma mensagem poderosa" da insatisfação britânica diante da clonagem de seus passaportes, diz a reportagem.
Se for verdade que o Mossad é responsável pelo crime e que usou passaportes falsos britânicos para cometê-lo, isso significaria a quebra de uma promessa feita nos anos 80.
Em 1987, os israelenses prometeram nunca mais usar passaportes britânicos para suas missões. A promessa veio depois da revelação de que oito passaportes da Grã-Bretanha haviam sido encontrados em uma bolsa na Alemanha Ocidental. A princípio, os documentos seriam entregues a agentes do Mossad.
Após ouvir os questionamentos ingleses, o então embaixador israelense no país Yehuda Avner garantiu que isso não voltaria a acontecer.
"Se for descoberto que a garantia dada foi quebrada, a reação diplomática britânica será muito mais severa", analisou Reynolds.
Em sua visão, por mais que a tensão diplomática aumente, "nem a Grã-Bretanha ou Israel vão querer elevar isso até uma crise em grande escala". Segundo ele, os dois países têm interesses comuns, em especial no combate à ameaça terrorista islâmica, que requerem cooperação.
O crime
No início do mês, o chefe da polícia de Dubai, Dahi Khalfan Tamim, afirmou que pediu ao Ministério Público do país um mandado de prisão do primeiro-ministro israelense, Byniamin Netanyahu, e do chefe do serviço secreto Mossad, pela morte do líder do Hamas.
Um grupo de dez homens e uma mulher teria assassinado Mahmoud al-Mabhouh em um quarto de hotel em Dubai em janeiro. A polícia local afirmou que eles teriam usado passaportes falsos, e sugeriu o envolvimento do Mossad no assassinato.
Segundo Tamim, ele estaria "completamente certo de que foi o Mossad" o responsável pelo crime e teria apresentado um pedido de prisão de Netanyahu e de Méir Dagan.