
Garcia: questão de direitos humanos deve ser tratada com 'discrição'.
O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta sexta-feira que o governo brasileiro não é uma ONG para se relacionar com os dissidentes do regime cubano.
As declarações foram feitas durante uma coletiva em São Paulo, como uma resposta a questionamentos sobre os motivos que levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a não abordar publicamente a questão dos direitos humanos durante sua visita a Cuba, no último dia 24 de fevereiro.
Nós nos relacionamos com o governo de Cuba, com o governo da Colômbia... não nos relacionamos com dissidentes nem em Cuba nem em outros lugares, disse.
O governo brasileiro não é uma ONG, encara a questão de maneira responsável, e essa forma de tratamento tem ônus e tem bônus.
Comentário lateral
Garcia ainda minimizou as declarações que o presidente Lula deu à agência de notícias Associated Press, quando afirmou que a greve de fome – forma de protesto tem sido utilizada por diversos dissidentes cubanos – não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas.
Na mesma ocasião, Lula afirmou respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas.
As afirmações do presidente geraram polêmica e foram criticadas por entidades como a OAB, que as classificou como despropositadas.
Para Garcia, o comentário do presidente foi lateral e não reflete de maneira nenhuma a posição que o Brasil tem em relação a Cuba e aos direitos humanos.
Eu entendo que os jornais tenham aproveitado isso para fazer ilações que não têm nenhuma procedência, disse.
Segundo o assessor da Presidência, o Brasil procura tratar a questão dos direitos humanos em Cuba com discrição e que qualquer manifestação pública a respeito seria inócua e contraproducente.
A questão é complicada e aqueles que querem dialogar com os cubanos na base de exigências quebram a cara. As negociações devem ser feitas em outras bases, de caráter discreto, disse.