
Índice que soma riquezas geradas pelo país sofreu retração em 2009
A crise financeira internacional, que prejudicou a economia brasileira no ano passado, fez com que o país, em seus diversos setores, deixasse de produzir aproximadamente R$ 186 bilhões em relação ao que poderia ter produzido se não tivesse sofrido o impacto da situação global.
O valor equivale ao que o país poderia ter gerado em riqueza caso tivesse crescido 6% - ritmo esperado pelo mercado até o agravamento da crise econômica, em setembro de 2008.
Em vez disso, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolheu 0,2% em 2009, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.
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No ano passado, o PIB - que reflete a soma das riquezas geradas por um país - somou R$ 3,14 trilhões, contra R$ 3 trilhões em 2008. A diferença positiva é reflexo da inflação no período, e não de uma maior geração de riquezas.
Para o economista Régis Bonelli, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a diferença entre o que o Brasil efetivamente cresceu no período (- 0,2%) e o que poderia ter crescido (6%) reflete o "custo" da crise para o país.
"O Brasil não gerou essa riqueza basicamente em função da turbulência financeira", diz o professor. "Pode-se dizer que esse foi o custo da crise no Brasil", acrescenta.
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Renda
O valor da riqueza "perdida" por brasileiro chegou a R$ 973 no ano passado, considerando as previsões de crescimento populacional do IBGE.
Segundo o economista Otto Nogami, do Insper, o valor está "bastante próximo" ao conceito de renda.
"De certa forma, é perda de renda. Mas é preciso lembrar que outros fatores, como por exemplo, o Bolsa Família, que fazem transferência de renda, na prática acabam mudando esses números", diz.
De acordo com o IBGE, o PIB per capita encolheu 1,2% em 2009, para R$ 16.414, a maior queda em dez anos.
"Por esses e outros motivos que um PIB negativo é tão ruim. De certa forma, é como se a renda do brasileiro tivesse recuado", diz o professor.
Nos anos que antecederam a crise financeira global (2007 e 2008), o PIB per capita brasileiro havia crescido a uma média anual de 4%.
Se as previsões do mercado se concretizarem e a economia brasileira crescer 5,5% em 2010, a renda per capita no Brasil também voltará a subir.
O economista do Insper diz, no entanto, que apesar do crescimento econômico esperado para 2010, outros fatores podem "atrapalhar" a vida do brasileiro.
"O Brasil se saiu muito bem da crise. Mas agora temos de ficar atentos ao perigo da inflação e dos juros mais altos", diz.
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