
PIB do Brasil caiu 0,2% em 2009, mas cresceu 2% no 4º trimestre
O resultado negativo do Produto Interno Bruto em 2009, que encolheu 0,2%, perdeu importância diante da recuperação da economia e da possibilidade de um crescimento expressivo este ano, na avaliação de economistas ouvidos pela BBC Brasil.
Os analistas de mercado ressaltam duas explicações para o otimismo. Uma delas é de que o Brasil, apesar do resultado negativo no ano, saiu-se melhor do que muitas economias.
A previsão é de que, no período, o país tenha sido o sexto melhor entre os membros do G20.
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Além disso, os economistas argumentam que, apesar da queda no acumulado de 2009, o Brasil já estava em recuperação no final do ano. No 4º trimestre, a economia cresceu 2% em relação ao trimestre anterior.
Essa expansão, quando transformada em uma taxa anual, supera os 7% - sem considerar a sazonalidade do período.
A essa altura, esse resultado negativo de 2009 pouco importa, diz o economista da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Eduardo Soares Gonçalves.
Segundo ele, as recessões de crédito geralmente são severas, e o Brasil já está crescendo no ano seguinte à turbulência financeira.
Não podemos confundir os ciclos econômicos, ou seja, essas altas e baixas, com a tendência, diz. E estamos em uma tendência melhor, acrescenta.
‘Acima do potencial’
O economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, diz que a economia brasileira já está muito próxima do ritmo apresentado em 2008, antes do agravamento da crise financeira.
Segundo ele, alguns setores, como o externo (que considera as exportações), ainda podem frustrar em 2010. Mas ainda assim, não vejo como um fator preocupante, diz.
A avaliação do presidente foi na linha Zagalo, de que, nesse caso, o empate foi um bom resultado.
Paulo Bernardo, Ministro do Planejamento
Na avaliação da agência de risco Moody’s, a economia brasileira não apenas voltou a crescer rapidamente, como também está se expandindo acima do potencial do país.
Em relatório distribuído nesta quinta-feira, a agência prevê um crescimento de 6% do PIB em 2010. A estimativa média do mercado, segundo a pesquisa Focus do Banco Central, é de uma expansão de 5,5%.
O consumo das famílias e o investimento público se tornaram o motor de sustento da economia em um ano de recessão global, diz o relatório da Moody’s.
‘Empate’
O governo também viu como positiva a redução do PIB em 0,2%, sobretudo na comparação com outras economias.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, preferiu ressaltar o desempenho da economia brasileira no último trimestre de 2009. Segundo ele, o Brasil fechou o ano com chave de ouro.
Como o ano de 2009 foi de crise, tivemos um primeiro semestre com PIB negativo e um segundo com PIB positivo. A queda de 0,2%, portanto, é a média, disse o ministro.
Mantega disse ainda que a previsão do governo para o crescimento de 2010 é de 5,2%, mas que esse número pode chegar a 5,7%.
Sobre o perigo de essa expansão trazer de volta a inflação, Mantega disse que o crescimento brasileiro é sustentável e que há espaço para a indústria ampliar a produção e, assim, atender a demanda.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já esperava um resultado negativo no ano e que por isso não ficou desapontado.
A avaliação do presidente foi na linha Zagalo, de que, nesse caso, o empate foi um bom resultado, disse o ministro.
Ainda de acordo com o Paulo Bernardo, o presidente teria se mostrado bastante satisfeito com as vendas do comércio no mês de janeiro, que segundo o IBGE cresceram 2,7% - a maior variação mensal desde 2000.
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Críticas
Já a avaliação da oposição é de que o governo subestimou o impacto da crise global no Brasil, o que resultou na retração do PIB.
Deveríamos ter começado com menos ambiguidade, menos discurso e mais ação, disse o presidente do Instituto Teotônio Vilela, deputado Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB-ES), em comunicado à imprensa.
Segundo o deputado, o Brasil está perdendo a capacidade de investimento em função dos gastos com custeio.
Isso nos deixa sem recursos para investimentos em infraestrutura, sem eles não há crescimento sustentável, acrescentou Lucas.
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